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Agronegócio

Abate de bovinos e suínos bate recorde no 1º tri: o que explica o pico

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Authentic Argentine asado with various meats grilling over open flame in Uribelarrea, Argentina.
Foto: Alex Dos Santos / Pexels

O Brasil bateu recorde no abate de bovinos e suínos no primeiro trimestre, sinalizando recuperação da demanda interna e externa após meses de pressão de custos. O movimento reflete tanto a normalização dos preços das rações quanto o apetite renovado de compradores asiáticos por proteína animal brasileira.

O pico de abates não é apenas um número setorial — é um termômetro da saúde do agronegócio nacional em um momento em que o dólar a R$ 5,04 torna as exportações mais competitivas. A indústria de proteína animal responde por cerca de 8% do PIB e emprega mais de 1 milhão de pessoas. Um recorde neste trimestre sugere que o setor conseguiu passar pela crise de custos de 2024 e está acelerando a produção.

O que os dados revelam

O aumento no abate reflete dois fatores simultâneos: queda nos custos de alimentação animal (milho e soja recuaram desde o final do ano passado) e recuperação dos preços internacionais de carne bovina e suína. A China, maior importador de proteína brasileira, voltou a comprar com mais agressividade após reduzir seus próprios rebanhos.

Historicamente, recordes de abate em trimestres específicos antecedem períodos de maior oferta de carne no varejo, o que tende a pressionar preços ao consumidor final. Mas o timing é estratégico: com a demanda externa aquecida, a indústria consegue exportar o melhor produto e deixar cortes menos nobres para o mercado doméstico.

O movimento também sinaliza confiança dos produtores. Quem investe em abate está apostando que os preços não desabam nos próximos meses — uma posição corajosa em um cenário de Selic em 14,50% a.a., que encarece o crédito rural.

Impacto por classe de ativo

As ações de empresas de proteína animal (JBS, Marfrig, BRF) devem reagir positivamente ao dado, já que volume maior de abate com margens estáveis significa receita em expansão. O Ibovespa, que fecha em 169.539 pontos, tem exposição significativa ao setor via essas três gigantes.

Na renda fixa, o recorde de abates reduz pressão inflacionária sobre proteína animal, o que alivia expectativas de inflação de alimentos — fator relevante para a próxima decisão do Copom sobre a taxa de juros. Mercados de futuros de boi gordo e suíno já precificam essa oferta maior nos próximos meses.

No câmbio, a competitividade das exportações de carne com dólar acima de R$ 5,00 estimula a entrada de divisas, criando pressão de apreciação do real — ainda que modesta diante de outros fatores macroeconômicos.

O que monitorar

Acompanhe os preços de boi gordo e suíno nos próximos 15 dias. Se o recorde de abates não for acompanhado por queda proporcional de preços, significa que a demanda externa está realmente forte. Caso contrário, há risco de deflação de proteína animal.

Monitore também as exportações de carne bovina e suína do Brasil para a China nos próximos relatórios mensais. Um crescimento acima de 10% validaria a tese de que o recorde reflete demanda externa genuína, não apenas liquidação de estoque.

Por fim, fique atento ao custo do milho e da soja. Se esses insumos voltarem a subir, a margem da indústria de proteína comprime rapidamente, e o recorde de abates pode não se repetir no segundo trimestre.

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