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Economia Internacional

Bitcoin a US$ 75,9 mil: queda cripto não derruba risco global

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Foto: BenjaminNelan / Pexels

O mercado de criptomoedas não apenas resistiu à queda reportada nas últimas horas como avançou 0,9%, com Bitcoin cotado a US$ 75.948. O movimento contradiz a narrativa de "crash cripto" que circulava — e revela algo mais importante: o desacoplamento entre ativos de risco extremo e a volatilidade global medida pelo VIX, que recua a 18,9 (moderado).

Esse padrão importa porque sinaliza que o mercado precifica apetite por risco, não fuga dele. Enquanto o petróleo WTI mantém US$ 100,72 (pressão inflacionária ainda presente), o Bitcoin sobe. Enquanto a Selic brasileira segue em 14,75% a.a. (entre as maiores do mundo), o dólar a R$ 4,98 não dispara. A combinação sugere que investidores globais não estão em pânico — estão reposicionando.

O que os dados revelam

A queda "significativa" em criptomoedas não se materializa nos números. Bitcoin opera acima de US$ 75 mil, nível que apenas 6 meses atrás era considerado resistência forte. O VIX a 18,9 está abaixo da média histórica de 20, indicando que mercados de ações (S&P 500, Nasdaq) não estão precificando risco sistêmico.

O Ibovespa a 196.132 pontos também não reflete pânico. Se houvesse "queda significativa" em cripto com impacto real, esperaríamos liquidação em ativos de risco — e não estamos vendo. A correlação entre Bitcoin e ações globais enfraqueceu nos últimos trimestres, transformando cripto em ativo mais idiossincrático.

O petróleo a US$ 100,72 é o verdadeiro alerta macro. Mantém pressão inflacionária viva, justificando por que bancos centrais (Fed, BCE, Banco Central do Brasil) não cortam juros agressivamente. A Selic em 14,75% não é coincidência — é resposta direta a inflação ainda acima da meta.

Impacto por classe de ativo

Renda variável: O Ibovespa resiste porque setores defensivos (utilities, consumo) e cíclicos (commodities) equilibram a carteira. Cripto não é peso significativo em índices brasileiros. A queda em Bitcoin afeta apenas fundos especializados e traders de varejo.

Renda fixa: A curva de juros brasileira permanece pressionada. Enquanto Bitcoin oscila, títulos prefixados de longo prazo (2026-2027) refletem expectativa de Selic mais alta por mais tempo. O carry trade (tomar dólar barato, aplicar em real a 14,75%) segue atrativo.

Câmbio: O dólar a R$ 4,98 está estável porque o diferencial de juros Brasil-EUA (Selic 14,75% vs. Fed Funds ~5,3%) continua compensador. Queda em cripto não pressiona o real — falta fluxo de saída real para isso.

O que monitorar

Próximas 48 horas: Decisão do Copom (expectativa de manutenção em 14,75%) e dados de inflação dos EUA. Se CPI americano surpreender para cima, Fed sinaliza pausa mais longa em cortes — e isso reforça carry trade.

Até fim de semana: Earnings corporativos nos EUA. Lucros acima do esperado sustentam apetite por risco e mantêm Bitcoin elevado. Decepção em ganhos dispara liquidação em cripto e ativos de risco.

Gatilho crítico: Movimento do petróleo acima de US$ 105. Aí sim, inflação global volta ao topo da agenda e bancos centrais endurecem retórica — impactando Bitcoin e ações simultaneamente.

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