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Criptomoedas

Bitcoin recua para US$ 76,5 mil: risco de queda a US$ 60 mil está na mesa

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Side view of the iconic United States Capitol building showcasing neoclassical architecture.
Foto: Ramaz Bluashvili / Pexels

Bitcoin fechou a sessão americana em US$ 76.585, com ganho modesto de 1,6%, mas a trajetória revela fragilidade técnica que preocupa operadores. O movimento de alta nos últimos dias mascara uma estrutura de suporte cada vez mais frágil, e cenários de correção profunda até US$ 60 mil deixaram de ser especulação para virar risco concreto na mesa de operações.

O ativo oscila em zona de indecisão. Apesar do ganho diário, o Bitcoin não conseguiu romper resistências relevantes acima de US$ 80 mil, onde encontra pressão de realização de lucros. Simultaneamente, o suporte em US$ 70 mil foi testado múltiplas vezes nas últimas semanas — cada teste mais fraco que o anterior. Quando suportes são testados repetidamente sem ganho de força, o rompimento se torna questão de tempo.

O que os dados revelam

A volatilidade implícita do mercado cripto permanece elevada. O VIX global em 16,8 pontos (nível moderado) não reflete a instabilidade específica de Bitcoin, que opera com desvio-padrão 2,5 vezes maior que ações. Isso significa que movimentos de 8% a 12% em 24 horas deixaram de ser exceção.

O padrão técnico é claro: Bitcoin formou topo duplo em US$ 82 mil em janeiro, seguido de queda para US$ 70 mil. A recuperação atual não reconquistou a resistência anterior, indicador clássico de fraqueza. Se o ativo romper o suporte em US$ 70 mil com volume, os próximos níveis de suporte estão em US$ 65 mil e, mais abaixo, em US$ 60 mil — onde confluem a média móvel de 200 dias e uma zona de acumulação histórica de 2023.

O carry trade em criptomoedas também pesa. Com a Selic em 14,50% a.a., operadores brasileiros financiam posições em Bitcoin com taxa de juros real elevada. Qualquer sinal de aperto monetário global força liquidação de posições alavancadas, amplificando quedas.

Impacto por classe de ativo

Para investidores em renda variável cripto, a queda a US$ 60 mil representaria correção de 21,5% a partir dos níveis atuais — movimento significativo mas não catastrófico em termos históricos. Fundos de cripto e ETFs de Bitcoin sofreriam pressão, mas sem gatilho de margem call em operações estruturadas.

Em renda fixa, a volatilidade cripto não impacta diretamente a curva de juros brasileira, mas sinais de stress global podem forçar o Banco Central a manter Selic elevada por mais tempo. Câmbio permanece resiliente: o dólar a R$ 5,01 reflete mais pressões domésticas que movimentos cripto.

O que monitorar

Três variáveis definem os próximos passos: (1) o rompimento ou sustentação do suporte em US$ 70 mil — se cair abaixo, US$ 60 mil vira alvo provável em 2-3 semanas; (2) volume de negociação em Bitcoin — quedas com volume crescente confirmam movimento de venda estruturada; (3) decisões de bancos centrais nas próximas semanas, especialmente sinais do Federal Reserve sobre cortes de juros.

O cenário base ainda é de consolidação entre US$ 70 mil e US$ 80 mil, mas o risco de queda a US$ 60 mil deixou de ser cauda e virou cenário com probabilidade relevante. Operadores devem ajustar stops e redimensionar exposição.

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