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Agronegócio

Cacau cai 2,5% em NY: pressão de oferta supera demanda global

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Blurred close-up view of Brazilian 100 real banknotes, showcasing currency details.
Foto: Daniel Dan / Pexels

O cacau negociado na CBOT (Intercontinental Exchange) recuou 2,5% na sessão desta manhã, ampliando a pressão sobre produtores brasileiros que já enfrentam um dólar cotado a R$ 5,00. A queda reflete um desequilíbrio entre oferta robusta e demanda global mais fraca, cenário que tende a se prolongar nas próximas semanas.

Para o produtor brasileiro, a combinação é particularmente desafiadora. Enquanto o preço em dólares cai, a taxa de câmbio em patamares elevados não compensa a perda de receita. Um produtor que vendia cacau a US$ 4.500 a tonelada há três meses agora enfrenta cotações próximas a US$ 4.100, com a margem de lucro comprimida nos dois lados.

O que os dados revelam

A queda de 2,5% não é isolada. O cacau acumula recuos significativos desde o pico de março, quando atingiu máximas históricas acima de US$ 5.000 a tonelada. O movimento atual reflete a normalização de preços após especulação excessiva, mas também sinaliza que a demanda por chocolate e derivados não está aquecida o suficiente para sustentar cotações elevadas.

O dólar forte a R$ 5,00 complica ainda mais o cenário. Historicamente, quando a moeda americana se aprecia, commodities em dólares tendem a sofrer pressão adicional porque ficam mais caras para importadores em moedas locais. No caso do cacau, isso significa que compradores europeus e asiáticos estão reduzindo volumes ou negociando preços ainda mais baixos.

A Selic em 14,50% a.a. mantém o custo de financiamento elevado para produtores que precisam de capital de giro. Quem tomou empréstimo para manter estoque esperando preços melhores agora enfrenta juros altos e cotações em queda — um duplo aperto.

Impacto por classe de ativo

Para a renda variável agrícola, empresas processadoras de cacau (como Cargill e Olam) podem se beneficiar de matéria-prima mais barata, mas produtores independentes sofrem compressão de margens. Ações de empresas de insumos e logística agrícola também sentem o impacto, já que volumes de comercialização tendem a cair quando preços caem.

No câmbio, o dólar forte reduz a atratividade de exportações agrícolas brasileiras em geral. Produtores que não fizeram hedge (proteção) de preços em meses anteriores agora vendem em pior momento — tanto em dólares quanto em reais.

A curva de juros brasileira permanece elevada, sinalizando que o Banco Central mantém postura restritiva. Isso afeta o custo de crédito para renovação de lavouras e investimentos em produtividade.

O que monitorar

Acompanhe a próxima reunião do Copom para sinais de redução da Selic — qualquer corte de juros poderia aliviar a pressão sobre produtores endividados. Monitore também a cotação do dólar: se o real se fortalecer para R$ 4,90 ou menos, a receita em reais melhora mesmo com preços em dólares estáveis.

Nas próximas 48 horas, observe se o cacau consegue encontrar suporte técnico ou se continua caindo. Qualquer notícia sobre safra em regiões produtoras (Gana, Costa do Marfim, Brasil) pode acelerar movimentos. Produtores devem considerar operações de hedge para proteger preços antes de novas quedas.

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