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Agronegócio

Cana recua 2025/26, mas Brasil amplia margem no açúcar: dólar a R$ 4,95 muda a conta

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Burundian franc and US dollar exchange transaction at bank counter.
Foto: Audy of Course / Pexels

A safra de cana-de-açúcar 2025/26 deve recuar levemente ante o ciclo anterior, mas o Brasil não apenas mantém como amplia sua liderança no mercado global de açúcar e etanol. O movimento parece contraditório até que se olha para o câmbio: com o dólar cotado a R$ 4,9539, a rentabilidade do exportador segue robusta mesmo com volumes menores, enquanto a Selic em 14,75% a.a. continua pressionando custos de produção domésticos.

A redução na área plantada reflete decisões racionais do produtor. Custos de insumos, combustível e crédito rural pesam mais quando a taxa de juros está nesse patamar. Mas aqui está o ponto crítico: a desvalorização do real em relação ao dólar compensa parcialmente essa pressão de custos. Um produtor que vende açúcar em dólares no mercado internacional recebe mais reais por tonelada exportada. Isso explica por que o setor segue investindo apesar do aperto fiscal.

O que os dados revelam

O Ibovespa a 190.579 pontos reflete essa dinâmica. Ações de produtoras de açúcar e etanol não caíram proporcionalmente à redução da safra porque o mercado precifica a vantagem cambial. A correlação é clara: quando o real enfraquece, empresas exportadoras ganham competitividade de preço sem precisar aumentar volume.

O petróleo WTI a US$ 91,06 também importa. Etanol compete com gasolina em mercados internacionais. Preços de crude nesse nível mantêm o etanol brasileiro competitivo, especialmente em economias desenvolvidas que buscam combustíveis renováveis. A volatilidade do petróleo (VIX em 19,3, moderada) não está criando pânico que derrubasse demanda por biocombustíveis.

A Selic em 14,75% é o lado da moeda que aperta. Financiamento de safra fica mais caro. Pequenos e médios produtores sentem isso mais do que as grandes usinas integradas, que conseguem captar no exterior aproveitando o diferencial de juros Brasil-exterior.

Impacto por classe de ativo

Renda variável: Ações de Raízen, Cosan e JBS (que tem operações sucroenergéticas) devem acompanhar o câmbio mais que o volume de safra. Uma desvalorização adicional do real seria positiva para essas posições; uma apreciação, negativa.

Renda fixa: Debêntures de produtoras de açúcar continuam atrativas porque o spread sobre a Selic compensa o risco de redução de volumes. Investidores em renda fixa corporativa devem monitorar se a Selic cai nos próximos meses—isso elevaria o valor de títulos pré-fixados já emitidos.

Câmbio: O real a R$ 4,95 está no patamar que torna exportações agrícolas viáveis mesmo com safras menores. Apreciação acima de R$ 4,80 começaria a pressionar margens de produtores.

O que monitorar

Próximas 48 horas: Abertura de Wall Street hoje pode mover o dólar. Qualquer sinal de apreciação da moeda americana reduz a pressão sobre o real e melhora a rentabilidade do exportador brasileiro.

Até a próxima decisão do Copom (janeiro): Sinais sobre trajetória da Selic. Se o BC sinalizar cortes, custos de produção caem e a safra 2026/27 pode se recuperar.

Médio prazo: Preço do açúcar no mercado futuro (ICE Futures). A safra menor do Brasil pode suportar preços internacionais mais altos, compensando volume reduzido.

cana-de-açúcaragronegócio Brasilcâmbiocommoditiessafra 2025-26

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