A região Centro-Sul processou 40,06 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na segunda quinzena de abril, marcando um ritmo acelerado na safra 2024-25. O volume representa um avanço significativo na moagem regional, sinalizando que as usinas estão operando em capacidade próxima ao teto após o período de entressafra.
Este movimento ganha relevância em um momento em que os preços do açúcar e do etanol refletem pressões distintas no mercado global. O açúcar negocia em patamares elevados, sustentado pela demanda internacional, enquanto o etanol doméstico enfrenta competição do combustível fóssil. A aceleração da moagem no Centro-Sul, responsável por cerca de 90% da produção brasileira, reforça a importância da safra para o desempenho do setor nos próximos trimestres.
O que os dados revelam
A moagem de 40,06 milhões de toneladas em apenas 15 dias indica que as usinas estão em ritmo de processamento robusto. Esse padrão reflete tanto a disponibilidade de matéria-prima quanto a decisão das indústrias de priorizar a produção de açúcar — commodity que oferece margens mais atrativas no mercado internacional.
O comportamento da safra Centro-Sul historicamente antecipa tendências de oferta global de açúcar. Com a aceleração observada agora, a expectativa é que a produção total da região supere as projeções iniciais, impactando os preços internacionais nas próximas semanas. O dólar a R$ 5,02 amplifica a rentabilidade das exportações de açúcar, criando incentivo adicional para que as usinas maximizem a produção deste produto em detrimento do etanol.
Impacto por classe de ativo
Renda variável: Empresas como Raízen, Cosan e Guarani ganham exposição direta ao volume de moagem. A aceleração beneficia ações do setor sucroenergético, particularmente aquelas com maior foco em açúcar. O Ibovespa, que opera em 177.164 pontos, carrega exposição significativa a essas companhias, tornando a dinâmica da safra um fator de suporte para o índice.
Câmbio: A maior produção de açúcar reforça a demanda por dólares para exportação, criando pressão estrutural sobre o real. O câmbio em R$ 5,02 reflete, em parte, essa dinâmica de fluxos de commodities.
Etanol: A priorização do açúcar em detrimento do etanol pode limitar a oferta doméstica do combustível renovável, sustentando preços locais. Isso afeta diretamente o custo de produção de biocombustíveis e a competitividade frente à gasolina.
O que monitorar
Três variáveis merecem acompanhamento nos próximos dias:
-
Ritmo de moagem nas próximas quinzenas: Se a aceleração se mantiver, a safra total pode superar 600 milhões de toneladas, alterando projeções de oferta global.
-
Preço do açúcar no mercado futuro: Qualquer queda significativa pode levar usinas a reequilibrar a produção em favor do etanol, afetando oferta doméstica do combustível.
-
Decisão de mix de produção: Usinas podem ajustar a proporção açúcar-etanol conforme sinais de mercado. Monitorar comunicados de grandes produtoras é essencial para antecipar movimentos.
A safra Centro-Sul está no seu momento crítico. Os próximos 30 dias definirão se o ritmo acelerado de abril se consolida ou se normaliza, impactando diretamente preços de commodities, câmbio e rentabilidade do setor sucroenergético.
