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Mercados e Bolsa

Commodities disparam e Ibovespa ignora dólar a R$ 5,00: o que explica

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Gold coins scattered with a stock market graph and a percentage symbol on an orange background.
Foto: Nataliya Vaitkevich / Pexels

O Brasil enfrenta uma contradição que define o dia na B3: enquanto o dólar pressiona a R$ 5,0083, o Ibovespa resiste em 190.745 pontos porque os preços das commodities — petróleo a US$ 91,06 e demanda global por minério — compensam a desvalorização cambial. É a velha história do país exportador, mas com um detalhe novo: a Selic em 14,75% a.a. torna essa resiliência mais frágil do que parece.

O movimento revela uma aposta implícita do mercado: os ganhos com volume de exportações superam o efeito negativo do câmbio depreciado. Petrolíferas e mineradoras — que responderam por 28% do Ibovespa no fechamento de ontem — estão precificando um ciclo de demanda que resiste apesar das preocupações com crescimento global. O VIX em 19,3 (moderado) sugere que o medo internacional não está congelando as operações, apenas moderando-as.

O que os dados revelam

A correlação entre preço do petróleo e performance do Ibovespa voltou a funcionar. Quando WTI sobe, as ações da Petrobras puxam o índice para cima — mesmo com o real enfraquecido. Isso só acontece quando o mercado acredita que o volume exportado compensa a perda cambial.

Mas há uma armadilha. A Selic em 14,75% está entre as mais altas do mundo. Isso atrai capital externo para renda fixa brasileira, pressionando o dólar para cima. Simultaneamente, commodities altas atraem investimento em ações de exportadores. Esses dois fluxos — um para títulos, outro para ações — estão em tensão. Quando essa tensão se quebra, o real cai sem que o Ibovespa suba junto.

O Bitcoin a US$ 77.812 (+0,1%) oferece uma pista: o apetite por risco está contido, não explosivo. Se fosse euforia, cripto estaria em alta de 2-3%. A moderação do VIX confirma: há demanda por ativos de risco, mas dentro de limites.

Impacto por classe de ativo

Renda variável: Setores exportadores (Vale, Petrobras, JBS) ganham com commodities altas. Mas bancos sofrem porque o dólar forte reduz o diferencial de juros em moeda local — menos atrativo para estrangeiros. O Ibovespa sobe, mas com composição desequilibrada.

Renda fixa: A curva de juros está presa. Enquanto a Selic permanecer em 14,75%, títulos prefixados de longo prazo oferecem retorno real negativo se a inflação não cair. Tesouro Direto hoje é mais atrativo em papéis curtos (até 2 anos) do que em alongados.

Câmbio: O dólar a R$ 5,00 é o piso de resistência. Se commodities caírem 5-10%, o real pode romper para R$ 5,15 rapidamente. Exportadores estão vendendo dólares (hedge natural), mas isso não é suficiente para conter a pressão estrutural.

O que monitorar

Próximas 48 horas: Dados de inflação ao consumidor nos EUA (CPI) saem quinta. Se vierem acima do esperado, o dólar sobe globalmente e o real sofre — independente de commodities.

Até a próxima reunião do Copom (19 de fevereiro): Qualquer sinal de que a Selic vai cair abaixo de 14,75% muda o jogo. Capital estrangeiro sairia de renda fixa brasileira, pressionando o dólar ainda mais.

Preço do petróleo: Se WTI cair abaixo de US$ 88, o Ibovespa perde seu principal sustentáculo. Nesse cenário, o índice pode testar 188 mil pontos.

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