Dólar a 5,02: Real Desvaloriza Além do Esperado pelo Diferencial de Juros
O dólar fecha a madrugada em 5,0229, e a pergunta que não quer calar é: por que o real está tão fraco se a SELIC segue em 14,75% ao ano? A resposta revela uma desconexão preocupante entre a teoria econômica e a realidade dos mercados.
Em condições normais, uma taxa de juros doméstica tão elevada deveria atrair capital estrangeiro e fortalecer a moeda brasileira. Mas não é o que vemos. O câmbio está operando em patamares mais depreciados do que os modelos econômicos sugerem, sinalizando que outros fatores — risco fiscal, fluxo de capitais volátil e incerteza global — estão pesando mais que o atrativo dos juros altos.
O contexto internacional ajuda a explicar parte do movimento. O VIX em 19,5 pontos indica um ambiente de risco moderado, enquanto o petróleo WTI segue firme em US$ 114,01. Bitcoin sobe 1,6%, mostrando apetite por risco em ativos alternativos. Mesmo assim, o real não acompanha a recuperação.
Analistas monitoram sinais de ajuste futuro. Se o diferencial de juros não conseguir sustentar o câmbio em níveis mais apreciados, investidores pessoa física devem se preparar para volatilidade. Quem tem dívidas em dólar ou planeja importações sente o impacto direto na conta. Para aplicadores em renda fixa, o cenário reforça a atratividade da SELIC — mas com ressalva: o real fraco pode corroer ganhos em moeda estrangeira.
