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Mercados e Bolsa

Dólar a R$ 4,90 e Selic em 14,5%: inflação força escolha difícil

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Foto: PublicDomainPictures / Pexels

A abertura de Wall Street nesta quinta-feira coloca o Brasil diante de um dilema que não tem solução fácil. Com o dólar cotado a R$ 4,8996 e a Selic travada em 14,50% ao ano, o Banco Central enfrenta a escolha clássica entre duas más opções: apertar ainda mais os juros domésticos ou aceitar a desvalorização do real.

O Ibovespa resiste em 180.218 pontos, mas essa resiliência mascara uma tensão real. O VIX global em 18,4 (moderado) sugere que o mercado internacional não está em pânico, mas também não oferece alívio. O petróleo WTI a US$ 109,76 mantém pressão inflacionária viva. Bitcoin recua 1,2% para US$ 80.364, sinalizando que nem mesmo ativos de risco encontram apetite robusto neste momento.

O que os dados revelam

A combinação dólar-Selic é o termômetro real da economia brasileira. Com a moeda americana a R$ 4,90 e juros reais ainda elevados (Selic nominal de 14,5% menos inflação esperada), o Brasil deveria estar atraindo capital externo. Não está. Isso indica que investidores internacionais precificam risco de câmbio superior ao retorno oferecido.

A última vez que enfrentamos dinâmica similar foi em 2021, quando o BC iniciou o ciclo de aperto. Naquela ocasião, o dólar também testou patamares próximos a R$ 5, enquanto a Selic subia acima de 13%. A diferença agora: inflação teimosa e expectativas desancoradas. O mercado não acredita que 14,5% de juros é suficiente para conter pressões de preços.

O Ibovespa em 180 mil pontos reflete essa desconfiança. Empresas com receita em reais veem margens comprimidas. Aquelas com dívida em dólar enfrentam deterioração patrimonial. Não há vencedor neste jogo.

Impacto por classe de ativo

Renda variável: Setores defensivos (utilities, consumo essencial) ganham espaço. Bancos sofrem com compressão de spread. Exportadores ganham com dólar alto, mas perdem com demanda global fraca (vide VIX moderado, não baixo).

Renda fixa: A curva de juros está precificando mais aperto. Títulos pré-fixados de curto prazo oferecem oportunidade, mas títulos longos sofrem com risco de inflação persistente. O carry trade brasileiro perde atratividade com dólar em alta.

Câmbio: O real está em zona de fragilidade. Qualquer surpresa inflacionária para cima força novo aperto do BC, o que paradoxalmente piora o câmbio (juros altos não atraem capital se inflação corrói retorno real).

O que monitorar

Nas próximas 48 horas: Dados de inflação (IPCA-15 sai amanhã). Qualquer surpresa para cima força o BC a sinalizar novo aperto na próxima reunião do Copom (19 de março).

Até a decisão do Copom: Comunicados do Federal Reserve. Se o Fed sinalizar cortes de juros, o diferencial Brasil-EUA aumenta, o que deveria fortalecer o real. Mas se a inflação americana surpreender para cima, o cenário inverte.

Monitorar Bitcoin: A queda de 1,2% em contexto de abertura americana moderada sugere que ativos de risco estão perdendo apetite. Se Bitcoin cair abaixo de US$ 78 mil, sinal de aversão ao risco global — e o real sofre mais.

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