O presidente da Petrobras, Magda Chambriard, sinalizou nesta segunda-feira a necessidade de cautela ao desmontar subsídios de combustíveis, mesmo com o petróleo WTI cotado em US$ 69,60 o barril. A posição reflete a tensão entre dois objetivos incompatíveis: reduzir a pressão fiscal sobre o Tesouro e evitar choque inflacionário que complique a trajetória de juros.
A declaração chega em momento delicado. Com a SELIC em 14,25% ao ano, o Banco Central já sinaliza que o ciclo de aperto pode estar próximo do fim, mas qualquer surpresa inflacionária — especialmente em combustíveis — força a mão do Copom. Um subsídio à gasolina que persiste apesar de preços internacionais moderados é exatamente o tipo de distorção que alimenta inflação de serviços e transportes.
O que os dados revelam
O petróleo WTI oscila em patamar moderado, longe dos US$ 100 que assustaram o mercado em 2022. Isso deveria criar espaço político para eliminar subsídios sem impacto brutal no consumidor. Mas a Petrobras resiste — e a razão é clara: qualquer aumento de preço na bomba, mesmo que justificado, gera reação política imediata.
O cálculo é simples. Se o governo retira subsídios de forma abrupta, a inflação de combustíveis sobe, puxa a inflação geral, e o Copom é obrigado a manter juros altos por mais tempo. Isso deteriora a dinâmica da dívida pública, que já consome 6% do PIB em juros anuais. Por outro lado, manter subsídios indefinidamente é insustentável: o custo fiscal acumula e distorce a alocação de recursos.
Durigan defende o meio termo: retirada gradual, acoplada a comunicação clara. Essa abordagem reduz o choque de preço em qualquer mês específico e permite que o consumidor se ajuste. Historicamente, aumentos pequenos e previsíveis geram menos pressão inflacionária do que ajustes grandes e surpresa.
Impacto por classe de ativo
Renda variável: Ações de transporte e logística sofrem com combustíveis mais caros, mas ganham com juros mais baixos no médio prazo. O setor de energia doméstico (Petrobras, Ultrapar) fica pressionado se subsídios caem, mas aliviado se isso reduz pressão de juros.
Renda fixa: A curva de juros precifica um Copom que pode manter taxa alta por mais tempo se subsídios caem abruptamente. Retirada gradual reduz essa pressão e abre espaço para queda de juros mais rápida no segundo semestre.
Câmbio: Combustíveis mais caros elevam custos de exportação e reduzem competitividade. O dólar em 5,1552 já reflete essa dinâmica. Subsídios que persistem mantêm o real artificialmente fraco.
O que monitorar
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Próxima decisão do Copom: O comunicado sobre subsídios de combustíveis será indicador-chave de como o BC vê o trade-off entre fiscal e inflação.
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Trajetória do WTI: Se petróleo subir acima de US$ 75, a pressão por subsídios aumenta. Se cair abaixo de US$ 65, janela política para retirada se abre.
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Inflação de combustíveis nos próximos 30 dias: Qualquer alta acima de 2% ao mês sinaliza que subsídios estão sendo reduzidos — e que o Copom terá de reagir.
