Os resultados eleitorais em Santa Catarina redefiniram o mapa político do país e forçam o mercado a recalibrar suas apostas sobre a governança nos próximos anos. O estado, historicamente relevante para o equilíbrio de poder no Congresso, viu mudanças significativas que impactam diretamente a capacidade de aprovação de agendas econômicas no Palácio do Planalto.
A volatilidade política tende a elevar o prêmio de risco sobre ativos brasileiros. Com a taxa Selic em 14,50% ao ano, o mercado já precifica um cenário de juros elevados por mais tempo — parcialmente reflexo da incerteza fiscal e política. Mudanças no mapa de forças no Congresso podem acelerar ou desacelerar reformas estruturais, afetando diretamente a trajetória de inflação e, consequentemente, as decisões do Banco Central nas próximas reuniões.
O que os dados revelam
Os resultados em Santa Catarina indicam fragmentação política crescente. Isso complica a formação de maiorias para votações cruciais — desde a reforma tributária até questões de gasto público. Historicamente, estados do Sul funcionam como termômetro do sentimento político nacional. Quando há mudança de força em Santa Catarina, ela se replica em outras regiões.
O mercado de renda fixa já sinaliza preocupação. A curva de juros futuros tende a precificar maior incerteza sobre a aprovação de medidas de controle de gastos. Sem clareza sobre a agenda fiscal, investidores exigem prêmio maior para emprestar ao governo — o que pressiona a taxa média das operações.
Impacto por classe de ativo
Renda variável: Setores sensíveis a política fiscal — como bancos, infraestrutura e energia — sofrem volatilidade maior quando há incerteza sobre reformas. O Ibovespa, em 170.487 pontos, reflete essa cautela. Ações de empresas dependentes de concessões ou subsídios governamentais tendem a sofrer mais.
Renda fixa: A curva de juros futuros deve se manter elevada. Títulos pós-fixados (atrelados à Selic) ganham atratividade relativa, já que a taxa de juros tende a permanecer alta por mais tempo diante da incerteza política.
Câmbio: O dólar em 5,1478 reflete, em parte, a fuga de capital quando há incerteza política. Investidores estrangeiros reduzem exposição a ativos brasileiros, pressionando o real. Esse movimento tende a se intensificar se as mudanças em Santa Catarina sinalizarem dificuldade para aprovação de reformas estruturais.
O que monitorar
Acompanhe a composição das comissões do Congresso nas próximas semanas — elas definem quais projetos avançam. A aprovação (ou rejeição) de medidas de controle de gastos será o termômetro real do impacto político. Além disso, fique atento aos comunicados do Banco Central sobre a trajetória de inflação: se a incerteza política atrasar reformas, a inflação pode permanecer mais elevada, forçando juros ainda mais altos.
O próximo ponto crítico é a decisão do Copom sobre a Selic. Se o cenário político se deteriorar, o BC pode sinalizar ciclo de aperto mais longo, o que penalizaria renda variável e câmbio.
