Você sabia que 1 em cada 3 brasileiros recorre a algum tipo de empréstimo para cobrir despesas do mês? E mais: a maioria não sabe que está pagando muito mais caro do que precisaria. A diferença entre um empréstimo pessoal e um consignado pode custar centenas de reais no seu bolso.
Quando aquele imprevisto chega — a geladeira quebra, o carro pifa, a escola da criança aumenta a mensalidade — muita gente corre para o banco ou financeira mais próxima. Mas nem sempre a primeira opção é a melhor. Existem caminhos diferentes, com custos bem diferentes, e você precisa conhecê-los.
Como funciona cada um
O empréstimo pessoal é aquele que você pega no banco ou em uma financeira. O dinheiro cai na sua conta, você assina um contrato e começa a pagar parcelas mensais. É como pedir dinheiro emprestado para um amigo, mas em vez de devolver para ele, você devolve para a instituição financeira — com juros, claro.
O empréstimo consignado funciona diferente. O desconto sai direto do seu salário ou do seu benefício do INSS, antes de você receber o dinheiro. É como se o banco já fosse buscar o dinheiro na fonte. Por isso, o banco corre menos risco — ele sabe que vai receber.
A grande diferença está na taxa de juros. Com a Selic em 10,5% ao ano (dados de 2024), o empréstimo pessoal custa entre 25% a 40% ao ano. Já o consignado fica entre 8% a 12% ao ano. Parece pouco? Não é.
Na prática: simulação com números reais
Imagina que você precisa de R$ 5.000 para consertar o carro. Você tem duas opções:
Cenário 1: Empréstimo pessoal
- Valor: R$ 5.000
- Taxa: 30% ao ano
- Prazo: 24 meses
- Parcela: R$ 266/mês
- Total pago: R$ 6.384
- Juros pagos: R$ 1.384
Cenário 2: Empréstimo consignado
- Valor: R$ 5.000
- Taxa: 10% ao ano
- Prazo: 24 meses
- Parcela: R$ 226/mês
- Total pago: R$ 5.424
- Juros pagos: R$ 424
Vê a diferença? No consignado, você economiza R$ 960 em juros. É quase 2 meses de parcelas que você deixa de pagar.
Mas tem um porém: o consignado só funciona se você é servidor público, aposentado do INSS ou trabalha em empresa que autoriza esse tipo de desconto. Se você é autônomo ou trabalha por conta própria, essa porta está fechada para você.
O que fazer agora
Antes de assinar qualquer coisa, faça isso:
1. Verifique se você pode pegar consignado. Trabalha em empresa grande? É servidor público? Recebe aposentadoria? Se sim, procure o banco e peça uma simulação.
2. Compare as taxas. Não saia do banco sem saber exatamente quanto vai pagar de juros. Peça sempre a taxa anual e o valor total das parcelas.
3. Considere outras opções. Antes de pegar emprestado, pergunte-se: consigo pedir esse dinheiro para um familiar? Tenho algo para vender? Consigo adiar essa despesa por alguns meses?
4. Se for pegar, escolha o prazo certo. Quanto mais curto o prazo, menos juros você paga. Uma parcela maior agora é melhor que muitas pequenas depois.
