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Economia Internacional

Fed pausa cortes enquanto Selic a 14,75% atrai capital: o real respira

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Detailed shot of a one dollar bill highlighting currency and finance themes.
Foto: Sergei Starostin / Pexels

A pausa do Federal Reserve nos cortes de juros está funcionando como âncora para o real. Com a taxa americana implícita em 4,5% a.a. e a Selic em 14,75%, o diferencial de 1.025 pontos-base criou um corredor de atração de capital que explica o dólar a R$ 4,97 — longe dos R$ 5,10 que assustaram o mercado há três semanas.

O VIX global em 17,9 (moderado) reforça que o apetite por risco não desapareceu. O Ibovespa em 195.733 pontos reflete exatamente essa dinâmica: o Brasil não é refúgio, mas também não é lixo. É um ativo de carry trade que funciona enquanto a Fed não cortar agressivamente.

O que os dados revelam

O mercado precifica corretamente: não há surpresa na pausa do Fed. O que mudou foi a narrativa. Há um mês, o mercado temia recessão americana e precificava 4-5 cortes em 2025. Hoje, com inflação de serviços ainda em 3,2% a.a. (acima da meta de 2%), a Fed sinaliza "paciência". Isso é código para: vamos esperar mais dados antes de afrouxar.

O real se beneficia dessa espera. Enquanto a Selic permanece em 14,75% — a taxa real mais alta do G20 — o Brasil atrai fluxos de renda fixa. O carry trade do real contra o dólar oferece 1.025 pontos-base de retorno puro, sem risco cambial se o Fed não cortar antes de junho.

O petróleo a US$ 100,72 também ajuda. Reduz a pressão sobre o déficit em conta corrente brasileiro, que estava em -2,8% do PIB em 2024. Com WTI acima de US$ 100, a Petrobras gera divisas e o Banco Central não precisa queimar reservas para defender o real.

Impacto por classe de ativo

Renda variável: O Ibovespa respira porque o carry trade não desaparece. Setores exportadores (Vale, Petrobras, Natura) ganham com dólar controlado. Bancos sofrem: a Selic em 14,75% comprime margens, mas o fluxo de capital estrangeiro em renda fixa reduz a demanda por crédito doméstico.

Renda fixa: A curva de juros brasileira está invertida até 2027. Quem apostou em cortes do Copom em março/abril perdeu. O mercado agora precifica Selic em 13,5% apenas no final de 2025 — redução de apenas 125 pontos-base em 12 meses. Isso significa que títulos prefixados de longo prazo (acima de 5 anos) oferecem valor, mas títulos curtos (até 2 anos) estão caros.

Câmbio: O dólar a R$ 4,97 é o piso enquanto a Selic não cair. Se o Fed cortar antes de junho, o real sofre. Se a Selic cair antes do Fed, o real quebra. O cenário base é ambos esperarem até julho.

O que monitorar

Nas próximas 48 horas: Dados de desemprego americano (sexta-feira). Se ficar acima de 4,2%, o mercado volta a precificar cortes do Fed em maio. Isso pressiona o real imediatamente.

Até a decisão do Copom (5 de março): Inflação de serviços brasileira. Se sair acima de 5% a.a., o Copom mantém Selic em 14,75%. Se sair abaixo de 4,5%, há risco de corte antecipado.

Próximas 2 semanas: Earnings de bancos americanos. Se mostrarem compressão de margens por juros baixos, o mercado pressiona a Fed a cortar. Isso seria negativo para o real.

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