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Mercados e Bolsa

Fertilizantes em alta pressiona safra brasileira: impacto no agro

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Lively night market in Madeira with a bustling butcher stall and hanging meats.
Foto: Felipe Souza Melo / Pexels

A crise de fertilizantes no mercado global ressurge como pressão estrutural para o agronegócio brasileiro. Os preços de fosfato subiram 18% nos últimos dois meses, enquanto potássio acumula alta de 22% desde novembro. Essa dinâmica reduz margens do produtor em momento crítico — justamente quando o Brasil prepara o plantio da próxima safra de grãos, que deve totalizar 290 milhões de toneladas.

O movimento não é volatilidade conjuntural. Reflete dois fatores concretos: restrições na oferta russa (principal exportador global, bloqueada por sanções) e demanda firme da Ásia, que tira fertilizante do mercado spot. Produtores brasileiros enfrentam custo 35% acima da média histórica pré-2022 para adquirir nutrientes — uma diferença que não conseguem repassar integralmente ao preço da soja ou do milho no mercado internacional.

O que os dados revelam

O setor agrícola representa 28% da receita do Ibovespa (via grandes tradings, produtores integrados e fabricantes de máquinas). Quando insumos ficam caros, a margem Ebitda dos produtores rurais sofre antes do mercado acionário precificar. Dados de dezembro mostram que companhias agrícolas reduziram volume de compra de fertilizantes em 15% — estratégia de espera que atrasa plantios e reduz produtividade.

O cenário é particularmente crítico para a segunda safra (safrinha de milho), que exige reaplicação de insumos. Se os preços não cederem nos próximos 45 dias, muitos produtores menores (aqueles com menos capacidade de crédito) deixarão de plantar, reduzindo oferta agregada e pressionando preços de alimentos domesticamente.

O dólar em 5.09 reais amplifica o problema: fertilizante importado fica mais caro para o produtor que opera em reais, ainda que cotejos internacionais caiam. É um efeito câmbio desfavorável que não aparece nas manchetes, mas roem rentabilidade.

Impacto por classe de ativo

Ações: Empresas como Maratá e Mosaic (com operações no Brasil) sofrem redução de volume — vendedores cortam recomendações conforme margens se comprimem. Tradings (JBS, Marfrig) veem custo de produção subir, apertando ganho por quilo processado.

Renda fixa: Crédito agrícola fica mais custoso porque bancos aumentam prêmio de risco em operações rurais. Selic em 14% já limita acesso; juros agrícolas variam entre 9,5% e 12% dependendo de garantias. Produtor com alavancagem alta enfrenta refinanciamento apertado.

Câmbio: Pressão por maior importação de fertilizantes em dólar (se preço doméstico subir mais que externos) pode reforçar demanda por moeda americana, dando suporte a cotações elevadas do dólar.

O que monitorar

  1. Anúncios de descontos russos: Se Moscou oferecer subsídios para venda de fertilizantes fora de sanções (via intermediários), oferta global aumenta e preços caem. Isto quebraria a tendência de alta dos próximos 60 dias.

  2. Decisão do Copom sobre Selic: Mesmo que permaneça em 14%, sinais de início de ciclo de queda nas próximas reuniões aliviaria custo do crédito rural e permitiria financiamentos maiores para estoque de insumos.

  3. Dados de plantio: CONAB publica atualizações semanais sobre evolução de semeadura. Se atraso de plantio exceder 20% do histórico em fevereiro, sinaliza constrangimento real de acesso a fertilizante.

O risco é concreto: safra menor reduz receita de exportação, pressionando câmbio e afetando rentabilidade de empresas de toda a cadeia produtiva. Investidor com exposição a agronegócio precisa monitorar preços de insumos como indicador antecedente — eles viram redução de safra antes da bolsa reagir.

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