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Agronegócio

Fertilizantes em alta e WTI a US$ 81,96 espremem margem do agro no Brasil

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A dynamic nighttime cityscape in Sao Paulo featuring modern skyscrapers and street lights.
Foto: Kaique Rocha / Pexels

A escalada de preços dos fertilizantes combinada com a cotação do petróleo WTI no patamar de US$ 81,96 por barril impõe um desafio operacional sem precedentes para o agronegócio brasileiro nesta safra. Com os custos de insumos representando até 35% do custo total de produção de grãos, produtores rurais enfrentam um estrangulamento de margens que exige eficiência rigorosa na aplicação de nutrientes no solo.

A pressão se intensifica no momento em que o dólar opera cotado a R$ 5,09, elevando diretamente a fatura de insumos importados, que respondem por mais de 85% do consumo nacional de NPK (nitrogênio, fósforo e potássio). A capacidade do setor produtivo de otimizar o uso de fertilizantes definirá a rentabilidade final no encerramento do ciclo agrícola.

O que os dados revelam

A dependência brasileira de insumos estrangeiros expõe o setor produtivo a choques externos de custos. O avanço das cotações de energia global, refletido no WTI sustentado acima dos US$ 81, eleva diretamente o custo de produção dos fertilizantes nitrogenados, derivados do gás natural. Historicamente, correlações de alta intensidade entre os preços de energia e os custos de insumos agrícolas resultam na compressão imediata do EBITDA das companhias do setor.

Os indicadores operacionais das propriedades mostram uma deterioração de 12% na relação de troca entre sacas de soja e toneladas de fertilizantes em comparação com a média das últimas três safras. Esse movimento significa que o agricultor entrega uma fatia maior de sua produção final para quitar a fatura de nutrição vegetal, exigindo a admoestação rigorosa do caixa e o investimento em agricultura de precisão.

Impacto por classe de ativo

No mercado acionário, empresas do agronegócio negociadas na B3 enfrentam dinâmicas divergentes. Produtores integrados sofrem com o encarecimento do Custo dos Produtos Vendidos (CPV), enquanto distribuidoras e produtoras locais de insumos tentam repassar reajustes, mas encontram resistência na ponta final devido ao orçamento apertado dos agricultores.

Na renda fixa e no crédito privado, a compressão de margens no campo eleva a necessidade de monitoramento da inadimplência em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) emitidos por produtores de médio porte. As carteiras pulverizadas exigem maior rigor na checagem de garantias reais, embora os grandes grupos agropecuários mantenham folga financeira por meio de operações de hedge cambial e de commodities.

No câmbio, a demanda corporativa por dólares para liquidação de faturas de importação de insumos no acumulado do trimestre mantém um suporte firme para a moeda americana, limitando o espaço para apreciação do real no curto prazo.

O que monitorar

Nas próximas semanas, o principal indicador a acompanhar é a evolução da relação de troca para a safrinha de milho e a preparação da safra principal de soja. Deteriorações adicionais podem reduzir o volume total de nutrientes aplicados, impactando a produtividade por hectare.

Outro ponto central é a trajetória do petróleo WTI no mercado internacional. A permanência do barril em patamares elevados manterá pressionados os fretes marítimos e a matéria-prima dos nitrogenados globalmente.

Por fim, cabe observar a velocidade de liberação dos desembolsos do crédito agrícola e o volume de novas emissões de CRAs no mercado doméstico, vitais para garantir a liquidez do financiamento do setor produtivo.

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