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Agronegócio

Fertilizantes: dólar a R$ 5,00 pressiona margens do agronegócio

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An aerial view of a city with lots of buildings
Foto: Kristian Møller / Pexels

O dólar cotado a R$ 5,00 nesta terça-feira amplifica um problema estrutural do setor de fertilizantes brasileiro: a dependência de importações em moeda forte. Com a cotação pressionada, produtores e distribuidoras enfrentam compressão de margens que não conseguem repassar integralmente ao agricultor sem riscar a demanda. É o dilema clássico de quem vende commodities em real e compra insumos em dólar.

A relação de troca do agronegócio — quanto o produtor recebe pela soja ou milho versus quanto paga por fertilizante — deteriora quando o câmbio sobe. Neste momento, com o real enfraquecido, a conta fecha contra o setor. Fertilizantes importados (potássio, fósforo, nitrogênio) representam cerca de 60% do consumo doméstico, tornando o Brasil vulnerável a oscilações cambiais. A cotação atual do dólar já reflete pressão de carry trade enfraquecido e incerteza fiscal, fatores que tendem a manter o real sob pressão nas próximas semanas.

O que os dados revelam

O movimento do câmbio não é isolado. Petróleo acima de US$ 112 por barril eleva custos de transporte e energia nos fertilizantes, enquanto o preço das commodities agrícolas — soja em torno de US$ 12 por bushel — não acompanha a alta dos insumos. Essa desconexão é o sinal de alerta. Quando o custo de produção sobe mais rápido que a receita, margens evaporam.

Historicamente, períodos de dólar acima de R$ 5,00 combinados com petróleo elevado forçam ajustes de preço nos fertilizantes em 30 a 45 dias. Distribuidoras tentam absorver parte do impacto para manter volume, mas há limite. Se o câmbio se mantiver neste patamar, espera-se repasse ao agricultor na próxima safra (2025/2026), reduzindo a competitividade do Brasil em relação a produtores de outros países.

Impacto por classe de ativo

Ações de produtoras de fertilizantes (Mosaic, Yara, Vale com divisão de potássio) sofrem pressão quando o dólar sobe, pois reduz margens de exportação e aumenta custos de importação de matérias-primas. Distribuidoras regionais têm menor capacidade de hedging cambial, tornando-as mais vulneráveis. No mercado de renda fixa, títulos de empresas do setor podem ver spread ampliar se a pressão cambial persistir além de 30 dias.

O Ibovespa, com peso significativo de commodities, já reflete essa dinâmica. Setores defensivos ganham espaço quando o câmbio deteriora a rentabilidade do agronegócio, sinalizando rotação de carteiras.

O que monitorar

Próximas 48 horas: comportamento do dólar em relação a R$ 5,05 (resistência técnica). Se romper para cima, pressão sobre fertilizantes intensifica.

Até a próxima reunião do Copom: decisão sobre juros impactará fluxo de capital estrangeiro e, consequentemente, cotação do real. Selic em 14,50% a.a. ainda atrai carry trade, mas sinais de corte futuro podem acelerar saída de recursos.

Dados a acompanhar: preços de potássio no mercado spot (Índice de Preços de Fertilizantes da FAO) e volume de importações brasileiras nas próximas semanas. Se importações caírem, sinaliza que produtores estão adiando compras à espera de câmbio mais favorável — comportamento que reduz oferta futura.

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