O mercado de fertilizantes registrou queda significativa em junho, comprimindo as margens dos produtores rurais no momento crítico de planejamento da safra. A pressão vem de oferta global abundante, que derrubou os preços dos principais nutrientes — potássio, fósforo e nitrogênio — em patamares que não se viam desde o início do ano.
Para o produtor que ainda não fechou suas compras de insumos, o cenário exige decisão rápida. O dólar em 5,15 reais amplifica o custo de fertilizantes importados, criando uma contradição: preços internacionais caem, mas o câmbio desfavorável reduz o ganho real da queda. Quem adiou a compra esperando por recuo maior pode estar cometendo um erro de timing.
O que os dados revelam
A queda de junho reflete dinâmica clara: a oferta global de fertilizantes segue robusta, enquanto a demanda por aplicação de nutrientes desacelera no hemisfério norte. Rússia e Bielorrússia continuam exportando apesar das sanções, mantendo pressão nos preços. No Brasil, isso se traduz em cotações mais baixas, mas o efeito cambial neutraliza parte do benefício.
O movimento também sinaliza que o mercado precifica uma safra 2024/2025 menos agressiva em demanda de insumos. Produtores estão mais cautelosos com investimentos em fertilização, refletindo a margem apertada que a soja e o milho ofereceram na safra anterior. Essa contenção de demanda é o verdadeiro motor da queda — não apenas oferta abundante, mas consumo mais fraco.
Comparado a junho do ano passado, quando os preços ainda refletiam picos pós-invasão da Ucrânia, a redução é de até 35% em alguns nutrientes. Porém, em relação aos patamares de 2021, os fertilizantes ainda operam 40% acima, mantendo custos estruturalmente elevados para a produção brasileira.
Impacto por classe de ativo
Para o produtor, a queda reduz o custo de produção, mas não o suficiente para restaurar margens confortáveis. Um hectare de soja que custava R$ 1.200 em insumos há um ano agora custa cerca de R$ 950 — ganho real de R$ 250, mas ainda acima dos R$ 800 de 2020.
As cooperativas e distribuidoras de insumos sentem a pressão nas margens comerciais. Quem estava com estoque comprado a preços mais altos agora vende a preço de mercado, comprimindo lucro. Já as empresas produtoras de fertilizantes — como Mosaic e Yara — veem redução de receita, o que pode impactar ações no segmento.
No câmbio, o dólar em 5,15 mantém pressão sobre importadores. Mesmo com fertilizantes mais baratos em dólares, o real fraco limita o ganho para quem precisa comprar moeda estrangeira. Produtores que já têm dívida em dólar enfrentam piora adicional.
O que monitorar
Acompanhe três variáveis nos próximos 30 dias: (1) a cotação do potássio no mercado spot — se cair abaixo de US$ 280 por tonelada, sinaliza pressão ainda maior; (2) o movimento do dólar — qualquer aproximação de 5,30 reais reduz o benefício da queda de preços; (3) a demanda chinesa por fertilizantes, que pode mudar o equilíbrio global de oferta se Pequim acelerar compras para a safra de inverno.
O risco está em comprar tarde. Se os preços se estabilizarem nas próximas duas semanas, quem adiou a compra esperando queda maior pode ficar preso a cotações mais altas. A janela de oportunidade é curta — produtor que ainda não fechou insumos deve avaliar compra nos próximos 10 dias.
