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Macroeconomia Brasil

Ibovespa bate 167,8 mil pts, mas infraestrutura esbarra na Selic de 14%

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Foto: marcelkessler / Pexels

O Ibovespa atinge o patamar histórico de 167.875 pontos no pregão desta manhã, impulsionado pelo apetite externo por ações de grande liquidez. Contudo, essa euforia do mercado acionário esconde um descompasso severo no financiamento da economia real: a hesitação do capital privado em comprometer recursos de longo prazo em projetos de infraestrutura.

A explicação para essa cautela não reside na falta de projetos atraentes, mas no custo de oportunidade impositivo. Com a taxa Selic mantida em 14,00% ao ano, o prêmio de risco exigido para concessões e debêntures incentivadas tornou-se proibitivo para a maioria dos tomadores.

O que os dados revelam

A taxa básica de juros no patamar atual estabelece uma taxa livre de risco real que desorganiza a viabilidade financeira de concessões de rodovias, ferrovias e saneamento. Projetos dessa natureza exigem Taxa Interna de Retorno (TIR) real acima de 9% ao ano para competir com títulos públicos prefixados ou atrelados à inflação, uma régua que poucos modelos de negócios conseguem ultrapassar sem repassar custos abusivos às tarifas públicas.

A última vez em que o diferencial de juros pressionou tanto as emissões corporativas de longo prazo, o volume de debêntures de infraestrutura registradas caiu mais de 25% no trimestre subsequente. O movimento atual reforça essa tendência: os investidores institucionais preferem a liquidez e a segurança dos títulos públicos de curto prazo a imobilizar capital por 15 ou 20 anos em contratos expostos a riscos regulatórios.

Impacto por classe de ativo

No mercado de renda variável, as concessionárias de rodovias e empresas de saneamento listadas sentem o peso do endividamento indexado ao CDI. A rolagem de dívidas dessas companhias consome uma parcela crescente do ebitda operacional, limitando a distribuição de dividendos e congelando novos lances em leilões federais e estaduais.

Na renda fixa, o spread das debêntures incentivadas de infraestrutura abriu. Para atrair o investidor pessoa física, isento de Imposto de Renda, os emissores privados estão sendo forçados a oferecer cupons de IPCA acrescidos de 7,5% a 8,0% ao ano — patamar que compromete a margem de solvência das emissoras ao longo do ciclo de maturação dos ativos.

O que monitorar

Para as próximas semanas, a atenção se volta à capacidade do Tesouro Nacional em rolar a dívida pública sem pressionar ainda mais a curva longa de juros. Uma eventual inclinação da curva futura afastará ainda mais o capital privado dos leilões de concessão previstos até o encerramento do trimestre.

Outra variável crítica é a disposição dos bancos públicos de fomento em subsidiar taxas para preencher o vácuo deixado pelo mercado de capitais private. Caso os spreads corporativos continuem se alargando, o ritmo de investimento em capacidade produtiva e logística no país sofrerá uma desaceleração forçada até a sinalização de cortes na Selic.

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