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Macroeconomia Brasil

Inadimplência no agro salta a 8,8% no 1º tri: pressão de juros altos

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The UniCredit Tower in Milan showcasing its iconic curved design against the evening sky.
Foto: Paolo Bici / Pexels

A inadimplência no setor agrícola alcançou 8,8% no primeiro trimestre de 2026, segundo dados da Serasa Experian. O salto reflete a pressão crescente sobre o produtor rural em um ambiente de juros estruturalmente elevados. Com a Selic em 14,25% ao ano, o custo do financiamento rural segue em patamares que comprometem a margem operacional de fazendas, especialmente as de menor escala.

O movimento não é isolado. A taxa de inadimplência agrícola vinha em trajetória de alta desde meados de 2025, quando começou a ficar evidente que a redução de juros seria mais lenta que o esperado. Agora, com a Selic mantida em patamar elevado, o indicador consolida uma tendência preocupante para instituições financeiras e para o próprio agronegócio.

O que os dados revelam

A passagem de 8,8% representa um ponto crítico. Historicamente, taxas de inadimplência agrícola acima de 8% sinalizam stress financeiro generalizado no setor, não apenas em operações marginais. O dado sugere que produtores com operações viáveis estão tendo dificuldade para honrar compromissos, o que aponta para compressão de fluxo de caixa, não apenas má gestão.

O contexto é claro: juros altos reduzem o retorno esperado de investimentos em lavoura e pecuária. Quando o custo do capital sobe acima do retorno esperado da atividade, o produtor entra em zona de risco. A Selic em 14,25% ao ano cria um cenário onde financiar safra ou rebanho se torna cada vez menos atrativo, forçando produtores a buscar alternativas informais ou simplesmente deixar de investir.

A Serasa também registra que a inadimplência em outros setores permanece mais controlada, o que torna o agro um outlier negativo. Isso reforça que o problema é específico da atividade agrícola, não uma deterioração geral do crédito.

Impacto por classe de ativo

Para renda variável, o resultado pressiona ações de bancos com exposição agrícola forte. Instituições como Bradesco e Itaú têm carteiras significativas em crédito rural. Inadimplência crescente força provisões maiores, comprimindo lucro líquido. O Ibovespa, que opera em 175.718 pontos, pode sofrer pressão adicional se o indicador continuar deteriorando nos próximos trimestres.

Para renda fixa, a dinâmica é inversa: títulos de bancos com menor exposição agrícola ganham atratividade relativa. A curva de juros já precifica expectativa de Selic elevada por mais tempo, o que beneficia papéis pré-fixados de curto prazo.

No câmbio, a inadimplência agrícola tem impacto indireto. Produtor endividado reduz compras de insumos importados e atrasa exportações, afetando fluxos de divisas. O dólar em 5,0742 reflete, em parte, essa dinâmica de menor demanda por crédito externo no agro.

O que monitorar

Três variáveis definem os próximos passos: (1) a decisão do Copom na próxima reunião — qualquer sinalização de manutenção de juros altos piora o cenário; (2) a safra de 2026 — se a produção cair, inadimplência pode disparar ainda mais; (3) a taxa de refinanciamento de dívidas agrícolas — se bancos começarem a rolar crédito vencido, o indicador de inadimplência pode estar subestimado.

O próximo trimestre será crítico. Se a Selic não começar a ceder, espere ver o indicador ultrapassar 9% no segundo trimestre.

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