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Macroeconomia Brasil

Inadimplência dispara no Brasil: Selic a 14,25% aperta o caixa

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Foto: DenisStreltsov / Pexels

O Brasil enfrenta um aperto simultâneo no crédito e nas contas públicas que começa a deixar marcas visíveis no bolso do consumidor. A inadimplência segue em patamares elevados enquanto a Selic permanece em 14,25% ao ano — um patamar que sufoca a demanda por crédito justamente quando o risco fiscal ganha espaço nas preocupações do mercado.

Esse cenário cria uma armadilha: juros altos para conter inflação, mas que ampliam o custo de rolagem da dívida pública e reduzem a capacidade de pagamento das famílias. O resultado é uma inadimplência que não cede, sinalizando que o aperto monetário já encontra seus limites reais na economia.

O que os dados revelam

A persistência da inadimplência em níveis elevados reflete uma realidade que os números de inflação não capturam completamente: a renda real do brasileiro está comprimida. Enquanto a Selic mantém-se em 14,25%, o custo de crédito pessoa física segue acima de 30% ao ano em média — um patamar que torna refinanciamento praticamente impossível para quem já está em dificuldade.

O risco fiscal, por sua vez, não é apenas um problema de longo prazo. Ele pressiona o prêmio de risco do Brasil agora, elevando o custo de captação do governo e criando um efeito cascata: governo paga mais, espaço fiscal diminui, investimento público recua. Essa dinâmica reduz o crescimento potencial da economia, justamente o que poderia aliviar a inadimplência via geração de renda.

A combinação é perversa. Juros altos para controlar inflação, mas que ampliam o endividamento público. Crédito caro, que reduz consumo. Inadimplência que não cede, que reduz a oferta de crédito ainda mais. É um círculo que só se quebra com crescimento — e crescimento não vem com Selic em dois dígitos.

Impacto por classe de ativo

Para renda variável, o setor financeiro absorve o impacto direto: bancos enfrentam pressão simultânea de margens comprimidas (Selic alta reduz spread) e inadimplência elevada (provisões aumentam). Empresas de consumo discrecional sofrem com redução de demanda — crédito caro significa menos consumo.

Renda fixa enfrenta dilema: títulos públicos oferecem rendimento atrativo (Selic em 14,25%), mas carregam risco fiscal crescente. A curva de juros reflete essa tensão — prêmios de risco para prazos longos permanecem elevados, sinalizando desconfiança com a trajetória fiscal.

O dólar, por sua vez, permanece pressionado por esse risco fiscal. Investidor estrangeiro exige compensação para manter posição em real — e essa compensação vem via Selic elevada. Qualquer sinal de que a Selic pode ceder sem que o fiscal melhore dispara pressão cambial.

O que monitorar

Três variáveis definem os próximos passos: (1) a próxima decisão do Copom sobre a Selic — qualquer corte sem acompanhamento de medidas fiscais credíveis amplifica risco de prêmio cambial; (2) dados de inadimplência do próximo mês — se não ceder com Selic em 14,25%, sinaliza que o aperto já não funciona; (3) resultado fiscal mensal — o governo precisa demonstrar que consegue controlar gastos, não apenas contar com inflação alta para reduzir dívida em percentual do PIB.

O mercado está precificando uma Selic que não cai tão rápido quanto esperado. Isso é racional — fiscal fraco exige juros altos por mais tempo. Mas inadimplência elevada é o aviso de que esse aperto tem custo real, e ele cresce a cada mês que passa sem resposta fiscal.

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