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Agronegócio

Milho brasileiro dispara em abril: dólar a R$ 4,99 turbina competitividade

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Currency exchange rates sign on a street in Baku, Azerbaijan.
Foto: Zulfugar Karimov / Pexels

As exportações de milho brasileiro decolaram na primeira quinzena de abril, capitalizando a janela de oportunidade aberta pela desvalorização do real. Com o dólar cotado a R$ 4,9928, a moeda americana recuperou terreno perdido nos últimos meses, tornando os grãos brasileiros mais competitivos nos mercados internacionais — especialmente na Ásia e Europa, onde a demanda segue aquecida.

O timing não é coincidência. O real enfraquecido funciona como subsídio natural para o agronegócio exportador, compensando parcialmente a pressão de custos domésticos. Com a Selic em 14,75% a.a., os juros brasileiros continuam entre os mais altos do mundo, o que mantém o custo de financiamento da produção elevado. Mesmo assim, a vantagem cambial está sendo suficiente para impulsionar embarques.

O que os dados revelam

A disparada das exportações de milho em abril reflete uma dinâmica simples: quando o dólar sobe, o produtor brasileiro recebe mais reais por cada tonelada vendida. Com o câmbio a R$ 4,99, um contrato de milho que rende US$ 250 por tonelada (preço internacional típico) gera receita de R$ 1.247 — valor que justifica investimento em logística e armazenamento.

O contraste com a Selic de 14,75% é revelador. Enquanto isso, o custo de capital para financiar a safra permanece proibitivo para produtores menores. Apenas os players com caixa forte ou acesso a crédito rural subsidiado conseguem aproveitar plenamente a janela cambial. O resultado: concentração de volume nas mãos de grandes tradings e cooperativas.

O petróleo WTI a US$ 100,72 também entra na equação. Combustível mais caro pressiona fretes, mas a margem do exportador ainda resiste porque o dólar forte compensa. Essa equação só se quebra se o real apreciar significativamente ou os preços internacionais de milho caírem abaixo de US$ 240/ton.

Impacto por classe de ativo

Renda variável: Empresas de logística agrícola (portos, armazéns, transportadoras) ganham volume de movimentação. Tradings como Bunge e Cargill veem margens se expandirem. O Ibovespa a 196.845 pontos reflete essa dinâmica, com setores de commodities em destaque.

Renda fixa: A pressão sobre o real não força o Banco Central a subir juros agora — a Selic já está em patamar restritivo. Mas prolonga o ciclo de aperto. Títulos pré-fixados com vencimento em 12-18 meses precificam essa realidade.

Câmbio: O dólar a R$ 4,99 está longe do pico de 2020 (R$ 5,90), mas sinaliza que o carry trade perdeu força. Investidores estrangeiros não estão mais apostando em juros altos brasileiros como antes. A exportação de commodities vira o principal suporte para a moeda.

O que monitorar

Próximas 48h: Abertura de Wall Street em 1h pode trazer volatilidade ao dólar. Qualquer sinal de corte de juros nos EUA enfraqueceria o real ainda mais — bom para milho, ruim para importadores.

Até a próxima reunião do Copom (maio): Decisão sobre Selic é crítica. Se o BC manter 14,75% ou subir, o real sofre pressão adicional. Cada 0,5% de aumento em juros americanos também pesa.

Preço do milho internacional: Monitorar cotações em Chicago. Se caírem abaixo de US$ 235/ton, a margem do exportador brasileiro encolhe mesmo com dólar forte.

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