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Modelos preditivos falham: o que o mercado está reprificando

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Top view of crop unrecognizable economist calculating on calculator on table with notepad and pen near pile of dollar banknotes on marble table
Foto: www.kaboompics.com / Pexels

A capacidade preditiva dos modelos quantitativos baseados em padrões históricos colapsou. Accuracy abaixo de 25%—pior que um lançamento de moeda—não é anomalia. É sinal de ruptura estrutural.

O Ibovespa cotado a 195.733 pontos, dólar a R$ 4,97 e Selic mantida em 14,75% formam um tripé que desafia as correlações que funcionaram por duas décadas. Quando os indicadores que predizem mercado perdem poder explicativo, o investidor enfrenta uma escolha: adaptar o modelo ou aceitar que o regime mudou.

O que os dados revelam

A queda abrupta na acurácia preditiva coincide com três movimentos simultâneos no mercado brasileiro. Primeiro, a Selic em patamar elevado (14,75% a.a.) não está freando o dólar como esperado—a moeda americana mantém pressão a R$ 4,97. Segundo, o Ibovespa resiste apesar dessa combinação, sugerindo que fluxos internacionais e arbitragem estão operando fora dos padrões históricos.

Terceiro, a volatilidade global (VIX a 17,9) permanece moderada enquanto ativos de risco brasileiro mostram comportamento descorrelacionado. Isso indica que os modelos treinados em períodos de correlação elevada entre mercados emergentes e desenvolvidos perderam validade.

Quando accuracy cai abaixo de 25%, o modelo não está apenas errado—está capturando ruído como sinal. A última vez que isso ocorreu em larga escala foi em 2020, durante o choque de liquidez. Agora, a causa é diferente: mudança estrutural nas dinâmicas de fluxo de capital, não pânico.

Impacto por classe de ativo

Renda variável: Setores defensivos (utilities, consumo) que historicamente se beneficiam de Selic alta estão perdendo atratividade. O modelo que dizia "Selic alta = defensivos em alta" falhou. Setores cíclicos, por sua vez, não caem como previsto, sinalizando que o mercado precifica um cenário de Selic em pico, não em trajetória ascendente.

Renda fixa: A curva de juros está se achatando em prazos intermediários (6-12 meses), contradizendo modelos que esperavam inclinação positiva com Selic em 14,75%. Isso sugere que o mercado já precifica cortes futuros, não mantença.

Câmbio: O dólar a R$ 4,97 com Selic em 14,75% deveria gerar carry trade robusto. Sua persistência indica que prêmio de risco Brasil subiu além do diferencial de juros. Modelos baseados apenas em taxa de juros relativa não capturam esse movimento.

O que monitorar

Próximas 48 horas: Comunicação do Banco Central sobre trajetória da Selic. Se sinalizarem pausa ou cortes, o dólar pode romper R$ 5,00. Se mantiverem tom restritivo, a desconexão entre Selic alta e dólar forte se aprofunda—sinal de que prêmio de risco está estruturalmente elevado.

Até o próximo Copom (janeiro): Fluxo de capital estrangeiro em renda fixa. Se investidores internacionais continuarem saindo apesar de Selic em 14,75%, confirma que o regime mudou e modelos históricos não servem mais.

Indicador crítico: Correlação entre Ibovespa e dólar. Historicamente negativa (Ibovespa sobe quando dólar cai), ela está próxima de zero. Quando correlações estruturais quebram, é porque o mercado reprificou fundamentalmente suas expectativas sobre risco Brasil.

O investidor que ainda usa modelos baseados em padrões 2015-2022 está operando com mapa desatualizado. Accuracy abaixo de 25% não é falha do modelo—é confirmação de que o jogo mudou.

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