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Política Econômica

MP do cacau avança no Senado; indústria projeta R$ 222 mi em prejuízos

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aerial view of buildings during daytime
Foto: Lucas Marcomini / Pexels

A Medida Provisória que regulamenta o mercado de cacau avançou no Senado nesta terça-feira, mas o movimento acirra o conflito entre o governo e a indústria de chocolate. Entidades do setor alertam para um impacto de R$ 222 milhões em prejuízos diretos caso a MP seja aprovada nos termos atuais. O debate expõe uma tensão clássica: política de abastecimento versus competitividade industrial.

O texto em discussão restringe exportações de cacau em grão e impõe controles sobre preços internos. A intenção declarada é garantir oferta doméstica e evitar desabastecimento. Na prática, a medida funciona como um teto de preços que reduz margens dos produtores e aumenta custos de processadores. A indústria de chocolate, que depende de cacau como insumo crítico, vê suas margens comprimidas — daí a projeção de R$ 222 milhões em perdas acumuladas.

O que os dados revelam

O setor cacaueiro brasileiro responde por cerca de 70% da produção nacional de chocolate. Uma restrição ao preço do insumo não apenas reduz receita dos agricultores, como também desestimula investimento em produtividade. Historicamente, controles de preço em commodities agrícolas geram dois efeitos: queda na oferta futura e migração de produtores para culturas alternativas.

A MP foi apresentada em contexto de pressão inflacionária sobre alimentos. O governo buscava conter preços ao consumidor. Mas a medida ignora que o Brasil é exportador líquido de cacau processado — chocolate, por exemplo — e que a restrição ao insumo prejudica justamente a cadeia de valor agregado. Enquanto isso, concorrentes internacionais (Indonésia, Costa do Marfim) continuam operando sem limitações, capturando market share.

Impacto por classe de ativo

Renda variável: Empresas de chocolate listadas na B3 sofrem pressão direta. Margens operacionais caem quando custos de insumo são fixados artificialmente altos. Produtores de cacau, por sua vez, veem receitas limitadas, reduzindo capacidade de reinvestimento.

Câmbio e comércio exterior: A restrição às exportações de cacau em grão reduz entrada de dólares no setor. Simultaneamente, indústrias de chocolate perdem competitividade em preço no mercado internacional, pressionando exportações de produtos processados. O efeito líquido é negativo para o fluxo cambial do agronegócio.

Política fiscal: Menor rentabilidade do setor reduz arrecadação de impostos sobre lucro e folha de pagamento. Pequenas e médias processadoras de chocolate, que empregam milhares, podem reduzir operações.

O que monitorar

Votação final no Senado: A aprovação ou rejeição da MP nas próximas semanas é o gatilho imediato. Uma aprovação sem modificações consolida o controle de preços; uma rejeição sinaliza vitória da indústria.

Resposta do setor produtivo: Observe se produtores de cacau reduzem plantios ou migram para outras culturas. Esse movimento levaria meses para se materializar, mas sinalizaria dano estrutural.

Pressão internacional: Organismos como a OMC podem questionar a medida como barreira não-tarifária. Negociações comerciais bilaterais podem incluir esse tema nas próximas rodadas.

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