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Economia Internacional

Powell sob fogo: Trump ameaça demissão enquanto Ibovespa ignora tensão

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Close-up of a financial graph on a screen showing stock market trading data and trends.
Foto: AlphaTradeZone / Pexels

A ameaça de Donald Trump de demitir Jerome Powell não abalou os ativos brasileiros nesta quinta-feira. O Ibovespa mantém-se acima de 198 mil pontos, o dólar opera em R$ 4,98 e a Selic permanece em 14,75% a.a. O paradoxo é revelador: enquanto a volatilidade global (VIX) marca 19,1 — nível moderado — o mercado precifica a possibilidade de uma mudança no comando do Federal Reserve como um risco controlável, não como catástrofe.

O timing importa. Trump faz ameaças contra Powell há meses, mas agora, com a inflação americana ainda acima da meta do Fed e a economia crescendo, a credibilidade dessa demissão é questionável. O mercado já descontou esse cenário. O que explica a resiliência dos ativos brasileiros não é indiferença — é cálculo.

O que os dados revelam

O dólar a R$ 4,98 enquanto a Selic segue em 14,75% sugere que o carry trade brasileiro permanece atrativo mesmo sob pressão externa. A diferença de juros (spread) continua compensadora para quem toma dólar e investe em renda fixa local. Se Powell fosse realmente demitido e substituído por um presidente mais dovish, essa dinâmica se inverteria rapidamente — o real depreciaria mais.

O Bitcoin caindo 2,1% para US$ 73,901 é o sinal mais claro de que ativos de risco global estão em compressão. Mas o Ibovespa não acompanha essa queda. Isso revela que o mercado local está precificando dois cenários: (1) Powell sai, mas a transição é ordenada; (2) Trump recua da ameaça, como fez antes.

A última vez que Trump ameaçou demitir Powell foi em 2019. O mercado caiu 3% em uma semana, depois recuperou. O padrão se repete.

Impacto por classe de ativo

Renda variável: Bancos e financeiras brasileiras ganham com Selic elevada. Uma eventual queda de juros nos EUA (cenário pós-Powell dovish) pressionaria o carry trade, mas também atrairia fluxo para ações de crescimento. O Ibovespa trocaria estabilidade por volatilidade.

Renda fixa: A curva de juros brasileira está precificando Selic em 14,75% por mais tempo. Se Powell sair e a Fed cortar juros mais agressivamente em 2025, a curva brasileira se esterilizaria — menos atração para estrangeiros em títulos locais.

Câmbio: O dólar a R$ 4,98 é nível de equilíbrio. Um cenário de Fed mais frouxa empurraria o real para R$ 5,10-5,20 rapidamente. O mercado ainda não precifica essa magnitude.

O que monitorar

Nas próximas 48 horas: A abertura de Wall Street em 1 hora será o primeiro teste. Se S&P 500 cair mais de 1%, o risco de contágio para o Brasil aumenta. O VIX pode subir de 19,1 para 22-24.

Até a próxima reunião do Copom (5 de fevereiro): Qualquer sinal de que Trump vai de fato demitir Powell força o BC a repensar o ciclo de aperto. Hoje, o mercado precifica mais uma alta de 50 bps em fevereiro. Uma crise no Fed muda isso.

Monitorar também: Comunicados do Tesouro americano e declarações de Trump. A retórica importa mais que a ação neste momento.

FedTrumpPowellmercado financeiroeconomia EUA

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