A reforma tributária segue gerando resistência no nível municipal. O prefeito de Campinas criticou duramente o texto em discussão no Congresso, apontando riscos significativos para as contas das prefeituras — um sinal de que a aprovação final pode enfrentar obstáculos políticos maiores do que o mercado precificou até aqui.
O movimento revela uma fissura importante na coalizão que sustenta a pauta fiscal. Enquanto o governo federal pressiona pela aprovação, gestores municipais alertam para perdas de arrecadação que não seriam compensadas por transferências federais. Campinas, município de 1,3 milhão de habitantes e arrecadação robusta, tem peso político suficiente para influenciar outros prefeitos — especialmente em São Paulo, onde a base eleitoral é decisiva.
O que os dados revelam
A Selic em 14,50% ao ano reflete o custo crescente da dívida pública. Reformas tributárias que ampliem a base de arrecadação são vistas pelo mercado como essenciais para estabilizar a trajetória fiscal. Porém, a resistência municipal complica esse cálculo. Se a reforma reduzir receitas municipais sem compensação adequada, pressiona despesas e déficits locais — o que, em cascata, afeta a percepção de risco fiscal geral.
O dólar a R$ 5,0140 já precifica incerteza sobre o arcabouço fiscal brasileiro. Cada sinal de fragilidade na aprovação de reformas estruturais tende a reforçar essa pressão cambial. A crítica de Campinas não é apenas política: é um indicador de que a reforma pode sair mais diluída do que o governo esperava, reduzindo seu impacto real nas contas públicas.
Impacto por classe de ativo
Renda fixa: A resistência municipal amplia o risco de que a reforma não entregue o ajuste fiscal esperado. Isso mantém pressão sobre a curva de juros, especialmente nos vencimentos mais longos. Títulos indexados à Selic seguem atraentes, mas a incerteza sobre a trajetória futura dos juros permanece.
Renda variável: O Ibovespa a 176.207 pontos reflete otimismo com reformas, mas esse ganho é frágil. Setores sensíveis a juros altos — como financeiro e consumo — podem sofrer se a reforma não avançar como esperado. Empresas com exposição a receitas municipais (infraestrutura, concessões) também estão no radar.
Câmbio: A pressão sobre o real persiste enquanto houver dúvida sobre o ajuste fiscal. Uma reforma diluída mantém o dólar elevado, afetando importadores e aumentando custos de financiamento externo.
O que monitorar
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Próximas votações no Congresso: A reação de outros prefeitos à crítica de Campinas. Se a resistência se ampliar, a reforma pode sofrer novas alterações que reduzam seu impacto.
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Comunicação do governo: Como o Palácio do Planalto responde às demandas municipais. Concessões podem sinalizar enfraquecimento da proposta original.
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Movimento do dólar e Selic: Qualquer sinal de atraso ou diluição da reforma tende a reforçar pressão cambial e manter juros elevados nas próximas semanas.
