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Renda Fixa e Juros

Risco fiscal eleva DI longo a 14% e descola curva do juro básico

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Foto: Pexels / Pexels

A deterioração das expectativas fiscais voltou a empurrar os vértices longos da curva de juros para cima, exigindo prêmios de risco incompatíveis com a estabilização da dívida pública. Mesmo com a taxa Selic fixada em 14,00% ao ano, o mercado futuro exige taxas de juros reais acima de 6,5% nos títulos de longo prazo para rolar a dívida do Tesouro Nacional.

A incerteza sobre o cumprimento das metas fiscais e a sustentabilidade das contas públicas anulam o efeito contratual da política monetária restritiva. O investidor institucional exige remuneração adicional para carregar títulos com vencimento superior a cinco anos, o que empina a curva e encarece o crédito corporativo.

O que os dados revelam

O movimento atual expõe o descolamento entre a taxa básica de curto prazo e as taxas negociadas no mercado futuro. A última vez que a curva de juros apresentou uma inclinação dessa magnitude foi durante períodos de forte revisão das metas de superávit primário. O spread entre o DI de curto prazo e o vértice de dez anos supera os 150 pontos-base.

A elevação dos prêmios de risco reflete a percepção de que a política fiscal segue em rota de expansão de gastos, transferindo todo o fardo do combate à inflação para o Banco Central. Com o dólar cotado a R$ 5,1712, a pressão cambial adicional alimenta as projeções de inflação implícita, travando qualquer possibilidade de corte de juros no horizonte relevante.

Impacto por classe de ativo

Na renda variável, empresas de capital intensivo e com alto endividamento atrelado ao CDI sofrem desvalorização direta. Os setores de construção civil e varejo lideram as perdas na B3, enquanto companhias exportadoras e geradoras de caixa em dólar mostram maior resiliência relativa.

Na renda fixa, os títulos prefixados de longo prazo e os papéis indexados à inflação (NTN-B) registram marcação a mercado negativa expressiva no curto prazo. Para o investidor individual, o momento abre janelas em títulos curtos IPCA+, que oferecem proteção contra a inflação com menor volatilidade de preço.

No câmbio, o diferencial de juros (carry trade) perde eficácia como âncora de valorização do real, pois o prêmio exigido para investir no país aumenta na mesma proporção do risco fiscal percebido.

O que monitorar

O principal gatilho para a reorganização da curva de juros nos próximos dias é a divulgação do relatório bimestral de receitas e despesas do governo federal. Bloqueios orçamentários adicionais são pré-requisito para conter a sangria nos vértices longos.

Paralelamente, o mercado acompanha a evolução das leilões do Tesouro Nacional. Rejeições de lote ou exigência de taxas recordes pela NTN-F e NTN-B indicarão se a pressão na curva longa é um movimento passageiro ou uma recomputação permanente do risco soberano.

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