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Agronegócio

Safra 2025 bate recorde: dólar a R$ 4,90 muda a conta do produtor

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Close-up of a Caucasian hand holding a US one dollar bill against a white background.
Foto: cottonbro studio / Pexels

A safra agrícola de 2025 caminha para bater o recorde de 2024, segundo as últimas projeções do setor. Mas o cenário que se desenha para o produtor é mais complexo que números recordes sugerem. Com o dólar cotado a R$ 4,8973 e a Selic mantida em 14,50% ao ano, a margem de ganho real encolhe apesar das volumes maiores.

O Ibovespa em 181.909 pontos reflete certa estabilidade nos ativos agrícolas, mas isso mascara uma realidade: o produtor que colhe mais não necessariamente ganha mais em reais. A taxa de câmbio atual penaliza quem precisa financiar a safra em real enquanto recebe em dólar. É a velha armadilha do agronegócio brasileiro.

O que os dados revelam

O recorde de produção em 2025 ocorre em um ambiente de juros estruturalmente altos. A Selic a 14,50% ao ano torna o custo de capital proibitivo para quem precisa rolar dívidas ou investir em insumos. Comparado aos 10,5% de dois anos atrás, o produtor está pagando 400 pontos-base a mais para financiar a mesma operação.

O dólar a R$ 4,90 oferece alguma proteção para quem exporta, mas não compensa o custo de produção doméstico. Fertilizantes, defensivos e combustível — todos precificados em dólar — ficam mais caros em reais. A margem operacional se comprime entre custos crescentes e receitas que, embora em volumes recordes, não acompanham a inflação de insumos.

O VIX global a 17,2 (moderado) sugere que o mercado internacional não está em pânico, o que reduz volatilidade nos preços de commodities. Mas essa estabilidade é enganosa: reflete mais a falta de surpresas do que confiança real. No CBOT, a soja e o milho operam em faixas estreitas, sem impulso de alta que justifique investimentos adicionais em área.

Impacto por classe de ativo

Para renda variável, as empresas de insumos agrícolas (Mosaic, Yara, Corteva) ganham com volume, mas perdem com margem. O setor de máquinas agrícolas sofre com juros altos que desestimulam renovação de frotas. As tradings (Cargill, Bunge) lucram com o spread entre produção doméstica e exportação, mas enfrentam concorrência de produtores americanos com custos menores.

Em renda fixa, a Selic a 14,50% continua atraindo capital para títulos públicos. Qualquer produtor com caixa prefere aplicar em tesouro a risco de crédito agrícola. Isso reduz oferta de crédito privado e força os bancos a cobrar spreads maiores.

No câmbio, o dólar a R$ 4,90 é um piso frágil. Qualquer sinal de piora nas contas externas brasileiras pode quebrar essa estabilidade. O produtor que não fez hedge está exposto.

O que monitorar

Acompanhe a próxima decisão do Copom sobre a Selic. Se mantiver em 14,50% ou subir, o custo de produção sobe junto. Qualquer corte de juros muda o jogo para o produtor que financia em real.

Os preços no CBOT nas próximas 48 horas indicarão se o recorde de safra será precificado como oferta estrutural (preços caem) ou como notícia já embutida nos preços atuais. A soja acima de US$ 12 por bushel ainda oferece margem; abaixo disso, o recorde vira problema.

Por fim, monitore o dólar. Se romper R$ 5,00, a equação muda radicalmente para quem precisa importar insumos.

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