A safra agrícola de 2026 caminha para repetir o desempenho recorde de 2025, alterando o cálculo de risco para o agronegócio brasileiro e reforçando a pressão sobre o câmbio em um momento em que o dólar opera a R$ 4,97. O movimento revela uma contradição: enquanto a Selic permanece em 14,75% a.a., o setor agrícola segue blindado pela demanda global e pelos preços das commodities, com o petróleo WTI cotado a US$ 100,72.
A proximidade com o recorde anterior não é marginal. Safras recordes ampliam a oferta de dólares no mercado doméstico via exportações, criando pressão natural sobre o real. Simultaneamente, a Selic elevada deveria atrair capital estrangeiro para renda fixa brasileira, mas o carry trade segue fraco. O Ibovespa a 195.734 pontos reflete essa tensão: ganhos potenciais do agronegócio competem com a atratividade de juros reais em queda.
O que os dados revelam
A trajetória de safras recordes consecutivas muda a dinâmica de oferta de dólares. Em 2025, o recorde anterior já havia injetado fluxo cambial robusto. Uma repetição em 2026 sugere que a pressão sobre o real não é cíclica, mas estrutural. O dólar a R$ 4,97 já incorpora parte dessa expectativa, mas o movimento pode acelerar se a safra superar as projeções atuais.
O petróleo acima de US$ 100 amplifica o efeito. Commodities em alta beneficiam o agronegócio brasileiro, mas também elevam custos de importação. A Selic em 14,75% deveria compensar essa pressão cambial com retorno real atrativo em títulos públicos. Não está acontecendo. O que explica? Mercados precificam que o Copom iniciará ciclo de cortes antes do esperado, reduzindo a atratividade relativa da renda fixa brasileira.
Impacto por classe de ativo
Renda variável: O setor agrícola e empresas exportadoras ganham com safra robusta e dólar elevado. Empresas de insumos agrícolas (fertilizantes, sementes) também se beneficiam. Setores defensivos como utilities e consumo cíclico perdem espaço relativo. O Ibovespa segue preso entre esses movimentos contraditórios.
Renda fixa: A curva de juros precifica cortes do Copom. Títulos prefixados com vencimento em 2027-2028 ganham com essa expectativa. Títulos curtos (até 2 anos) sofrem, pois a Selic ainda está elevada. Tesouro Direto segue atrativo apenas para quem acredita em cortes significativos nos próximos meses.
Câmbio: O dólar a R$ 4,97 é piso temporário. Safra recorde pode levar o par a R$ 4,85-4,90 nas próximas semanas, ampliando ganhos de exportadores. Importadores enfrentam pressão crescente.
O que monitorar
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Próxima estimativa de safra (CONAB): Qualquer revisão acima das projeções atuais acelera a queda do dólar e reforça ganhos do setor agrícola. Horizonte: próximas 2 semanas.
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Decisão do Copom em fevereiro: Se o BC sinalizar cortes mais agressivos que o esperado, a Selic cai e o real se deprecia. Isso neutralizaria ganhos cambiais do agronegócio.
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Preços de commodities: Petróleo acima de US$ 105 muda o jogo. Soja e milho em alta sustentam a narrativa de safra recorde lucrativa.
