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Mercados e Bolsa

Selic a 14,75% congela automação: Brasil perde corrida tecnológica

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Hands exchanging US and local currency at a bank counter, signifying international finance.
Foto: Audy of Course / Pexels

A taxa Selic em 14,75% ao ano não é apenas um número na tela do Banco Central. É uma barreira concreta que congela investimentos em automação nas fábricas brasileiras enquanto concorrentes globais avançam. O custo do capital aqui é proibitivo: uma empresa que toma empréstimo a essa taxa para financiar robótica, IoT ou sistemas de produção inteligente enfrenta retorno esperado que raramente justifica o risco.

O Ibovespa em 190.745 pontos reflete essa paralisia. Setores de capital intensivo — que mais precisariam de automação para ganhar produtividade — estão pressionados. O dólar a R$ 5,0083 amplifica o problema: máquinas importadas ficam 15% a 20% mais caras que dois anos atrás, tornando a decisão de investir ainda mais custosa.

O que os dados revelam

A combinação de Selic elevada com dólar forte cria um cenário onde a taxa real de juros (Selic nominal menos inflação esperada) permanece em patamares que desestimulam investimento produtivo. Quando o custo de capital supera o retorno operacional de um projeto de automação, a empresa racional adia a decisão.

Essa dinâmica explica por que a produtividade brasileira cresce abaixo de 1% ao ano — metade da média global. Países que mantêm juros reais entre 2% e 4% conseguem financiar transformação digital a custos viáveis. Aqui, com juros reais acima de 8%, apenas projetos com retorno extraordinário saem do papel.

O VIX global em 19,3 (moderado) não oferece alívio. Mesmo com risco internacional controlado, investidores estrangeiros não veem atratividade em trazer capital para automação brasileira quando podem aplicar em mercados com juros reais menores e retorno esperado superior.

Impacto por classe de ativo

Renda variável: Setores como máquinas e equipamentos, siderurgia e papel celulose sofrem pressão estrutural. Empresas que dependem de eficiência operacional para competir globalmente veem margens comprimidas. Ações de empresas de tecnologia industrial e software de automação carecem de demanda doméstica robusta.

Renda fixa: A curva de juros precifica essa estagnação. Títulos longos embutem expectativa de Selic elevada por mais tempo, reduzindo incentivos para refinanciamento de dívidas corporativas em prazos longos. Empresas preferem dívida curta e esperar queda de juros.

Câmbio: O real permanece sob pressão porque investimento produtivo — que gera demanda por importações de máquinas e componentes — não decola. Sem esse fluxo, o dólar mantém força estrutural acima de R$ 5,00.

O que monitorar

Três variáveis definem os próximos movimentos: (1) a próxima decisão do Copom em fevereiro — qualquer sinalização de corte de Selic abaixo de 14% desbloqueia planejamento de investimentos; (2) a taxa de câmbio: se o dólar cair abaixo de R$ 4,90, máquinas importadas ficam mais acessíveis; (3) indicadores de confiança empresarial — quando voltarem a subir, sinalizam que decisões de automação estão sendo retomadas.

Até lá, a paralisia persiste. Cada trimestre de Selic elevada é um trimestre de atraso competitivo que o Brasil não consegue recuperar depois.

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