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Economia Internacional

Snowflake cai 41% em 5 anos: o fracasso do hype tech que assombra Wall Street

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A smartphone showing an investment app with green growth indicators, surrounded by credit cards, US dollars, and a passport.
Foto: DΛVΞ GΛRCIΛ / Pexels

A Snowflake, empresa de computação em nuvem que chegou ao mercado em setembro de 2020 com promessas de transformar o setor de dados, acumula queda de 41% desde seu IPO. Enquanto o Nasdaq subiu 120% no mesmo período, a ação virou símbolo do excesso de valorização que caracterizou o boom de tecnologia pós-pandemia. O mercado brasileiro observa essa trajetória com atenção: o Ibovespa a 196.132 pontos reflete uma realidade diferente, mas os mesmos mecanismos de repricing de risco que castigam Snowflake em Nova York chegam ao Brasil via fluxo de capital internacional.

O caso é emblemático. Snowflake estreou a US$ 120 por ação em 2020, com avaliação de US$ 33 bilhões — sem lucro. Hoje, mesmo após recuperação parcial, a ação não consegue sustentar o momentum. O problema não é operacional: a empresa cresceu receita consistentemente. O problema é que o mercado precificou crescimento exponencial perpétuo, e a realidade entregou crescimento bom, mas finito. Quando a taxa de juros americana começou a subir em 2022, ativos de alto risco como Snowflake desabaram. A Selic brasileira em 14,75% a.a. cria dinâmica similar: capital que buscava retorno em renda variável global migra para ativos de menor risco.

O que os dados revelam

O fracasso relativo de Snowflake ilustra uma distorção que marcou 2020-2021: empresas de tecnologia foram avaliadas como se crescimento fosse garantido e perpétuo. Snowflake cresceu receita 120% ao ano em seus primeiros anos, mas o mercado precificava 200%. Quando o crescimento normalizou para 30-40% a.a. — ainda extraordinário para qualquer padrão — a ação entrou em colapso. A lógica é simples: se você pagou 100x o faturamento esperando crescimento infinito e o crescimento é apenas muito bom, o ativo fica caro.

O Bitcoin a US$ 78.282 (+3,0%) e o petróleo WTI a US$ 100,72 mostram que o mercado global ainda busca ativos alternativos. Mas a volatilidade implícita (VIX em 18,9) permanece moderada, sugerindo que o repricing de risco já foi amplamente digerido. Snowflake é relíquia de um período em que risco era ignorado. Hoje, o mercado exige rentabilidade real, não apenas crescimento nominal.

Impacto por classe de ativo

Em renda variável, o caso Snowflake reforça cautela com ações de crescimento sem lucro. No Brasil, empresas de tecnologia e fintech que seguiram modelo similar — crescimento acelerado, prejuízos operacionais — enfrentam pressão similar. O dólar a R$ 4,9844 reflete parcialmente essa realidade: capital estrangeiro que financiava startups brasileiras em dólar agora exige retorno em reais, pressionando a moeda.

Em renda fixa, a trajetória de Snowflake reforça a tese de que juros altos vieram para ficar. A Selic em 14,75% não é acidental — reflete inflação persistente e necessidade de destruir demanda. Ativos de risco precisam oferecer prêmio real, não apenas nominal. Snowflake não oferece.

O que monitorar

Três variáveis definem os próximos movimentos: (1) próximas earnings de Snowflake em fevereiro — se margens caírem, queda acelera; (2) decisão do Fed em janeiro sobre trajetória de juros — corte agressivo resgata ações de crescimento, manutenção de juros altos as enterra; (3) fluxo de capital para Brasil — se investidores estrangeiros continuarem migrando para ativos de renda fixa, o Ibovespa sofre pressão adicional.

O fracasso de Snowflake não é isolado. É aviso sobre o custo de precificar ilusões.

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