A produção brasileira de sorgo deve crescer 22% na safra 2025/26, consolidando o país como referência global em uma commodity que ganha relevância estratégica na alimentação animal e bioenergética. O movimento ocorre em contexto de dólar em 4,90 reais e Selic em 14,50% ao ano — condições que pressionam custos de produção, mas não arrefecem o otimismo do setor.
O crescimento de 22% representa expansão significativa em volume e área plantada. Trata-se de movimento que reflete tanto a demanda externa quanto a reposicionamento da matriz agrícola brasileira em direção a culturas menos sensíveis a volatilidade climática. O sorgo, por sua rusticidade e menor consumo de água comparado ao milho, atrai investimento em regiões onde a seca é fator recorrente.
O que os dados revelam
O crescimento de 22% não é marginal. Coloca o Brasil em trajetória de consolidação como segundo maior produtor global, atrás apenas da Índia. A expansão ocorre enquanto o Ibovespa opera em 181.353 pontos — nível que reflete cautela sobre inflação doméstica, mas não desconsidera o potencial do agronegócio como âncora de divisas.
A dinâmica é clara: enquanto a Selic em 14,50% encareça o crédito rural, a demanda internacional por sorgo — especialmente da China e da União Europeia — mantém preços firmes. Isso cria margem para o produtor, mesmo com custos elevados. O dólar a 4,90 reais amplifica o retorno em moeda local para quem exporta.
Historicamente, safras de sorgo crescem em ciclos de 3 a 5 anos. A última expansão significativa ocorreu em 2019/20, quando a produção saltou 18%. O movimento atual sugere que o sorgo deixa de ser cultura complementar para integrar a estratégia de diversificação das propriedades.
Impacto por classe de ativo
Renda variável: Empresas de insumos agrícolas (fertilizantes, defensivos) ganham exposição. Tradings e exportadoras de commodities se beneficiam do volume adicional. O setor de máquinas agrícolas também se posiciona para atender a demanda por equipamentos de plantio e colheita.
Renda fixa: A expansão agrícola reduz pressão sobre a taxa de câmbio no médio prazo — mais dólares entram via exportações. Isso alivia o Banco Central e permite que a Selic converja para patamares menores em 2026, caso a inflação ceda. Títulos pós-fixados ganham atratividade se a taxa começar a cair.
Câmbio: O sorgo é fator secundário para o dólar hoje (VIX em 17,2 indica risco moderado), mas contribui para fluxo de divisas. A cada 1 milhão de toneladas exportadas, o Brasil recebe aproximadamente US$ 200 a 250 milhões, dependendo do preço internacional.
O que monitorar
Próximas 48 horas: Decisão do Copom sobre a Selic. Redução de 50 ou 75 pontos-base sinalizaria confiança na desinflação e abriria espaço para maior investimento agrícola.
Até maio de 2025: Dados de plantio efetivo de sorgo. Se a área plantada confirmar as projeções de 22% de crescimento, o fluxo de exportação em 2026 será robusto.
Variável crítica: Preço do sorgo no mercado internacional. Cotações acima de US$ 250/tonelada mantêm rentabilidade; abaixo disso, o crescimento pode desacelerar. Monitorar também a concorrência com milho — se o preço do milho cair, produtores podem realocar área.
