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Agronegócio

Terras raras: Brasil enfrenta decisão que pode valer bilhões

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an old building in the middle of a mountain
Foto: MATHEW RUPP / Pexels

O Brasil está diante de uma encruzilhada que raramente aparece na história econômica: decidir se investe pesadamente em mineração de terras raras ou se mantém a postura tradicional de exportador de commodities agrícolas. A decisão não é apenas técnica — é geopolítica, financeira e afeta diretamente o fluxo de dólares para o país nos próximos 20 anos.

O momento é crítico porque o mundo inteiro está reposicionando cadeias de suprimento. China controla 70% da produção global de terras raras. EUA, Europa e Índia correm para diversificar. O Brasil tem depósitos significativos, infraestrutura portuária e, hoje, um dólar a R$ 4,93 que torna investimentos em moeda estrangeira mais caros — exatamente quando seria necessário captar recursos para mineração de escala industrial.

O que os números revelam

A Selic em 14,50% a.a. cria um dilema: juros altos atraem capital estrangeiro para renda fixa brasileira, mas afastam investimento em projetos de longo prazo como mineração. Um projeto de terras raras exige 5 a 8 anos para retorno inicial. Com taxa de desconto acima de 14%, a viabilidade financeira fica apertada.

O Ibovespa em 187.691 pontos reflete otimismo relativo, mas setores de mineração não acompanham. Isso sugere que o mercado ainda não precifica a oportunidade — ou desconfia da capacidade de execução do Brasil. A volatilidade global (VIX em 17,4) está moderada, o que significa que investidores institucionais têm apetite para risco, mas exigem clareza regulatória.

O dólar forte prejudica a competitividade de qualquer projeto que dependa de receita em reais. Mas também significa que receitas em dólares (exportação de terras raras processadas) teriam margem maior. A questão é: o Brasil consegue capturar essa margem ou apenas exportará minério bruto?

Impacto por classe de ativo

Renda variável: Mineradoras brasileiras com exposição a terras raras (Vale, Suzano e pequenos exploradores) poderiam ganhar 15-25% se houver anúncio de investimento estatal ou concessões. Mas o setor agrícola — soja, milho, café — não sofre impacto direto. O risco é alocação de capital: se governo prioriza mineração, menos recursos para infraestrutura agrícola.

Renda fixa: Títulos soberanos brasileiros ganham com diversificação de receitas de exportação. Menos dependência de commodities agrícolas reduz volatilidade de fluxo de dólares. Curva de juros pode comprimir em prazos longos se houver perspectiva de receitas futuras maiores.

Câmbio: Sucesso em terras raras significaria mais dólares entrando. O real poderia apreciar 3-5% em 18 meses se projeto sair do papel com investimento estrangeiro confirmado.

O que monitorar

Próximas 48 horas: Declarações de ministros sobre política de mineração. Qualquer sinal de investimento público ou parceria privada move ações de mineradoras.

Até 30 dias: Leilão de áreas de exploração. Interesse de empresas internacionais (Lynas, MP Materials) é termômetro real de viabilidade.

Próximos 90 dias: Decisão sobre tributação e royalties. Alíquota alta afasta investidor; muito baixa, perde receita fiscal. Esse equilíbrio define se projeto sai do papel.

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