Os retornos do Tesouro Prefixado hoje ultrapassam 13% ao ano. Parece irrecusável para quem busca renda alta. A armadilha está em outro lugar: quem precisa sair da posição antes do vencimento enfrenta perdas potenciais severas.
A cotação de títulos prefixados se move inversamente às taxas de juros. Quando a Selic está em 14,25% a.a., como agora, o mercado precifica esse nível nos preços. Se o Banco Central cortar juros nas próximas semanas — reduzindo a Selic para 13% ou menos — os títulos prefixados já emitidos ganham valor. Mas se o BC sinalizar persistência inflacionária e mantiver ou elevar a taxa, o preço cai.
O que os dados revelam
A estrutura atual de rentabilidade reflete uma Selic em patamar elevado e expectativas ainda incertas sobre desinflação. Títulos prefixados com vencimento em 2027 e 2029 oferecem prêmios correspondentes. Mas esse prêmio é a compensação pelo risco de marcação a mercado.
Um investidor que compra Tesouro Prefixado 2027 hoje a 13,5% ao ano está travando essa taxa até o vencimento — se mantiver até lá. Se precisar vender em seis meses e a Selic cair para 12%, o título ganha valor e ele lucra. Cenário oposto: Selic sobe para 15%, o título desvaloriza e ele realiza prejuízo.
O risco real aumenta conforme o horizonte de incerteza. A volatilidade de preço é proporcional ao tempo até o vencimento. Um título de 2029 oscila muito mais que um de 2026.
Impacto por classe de ativo
Renda fixa tem duas dimensões conflitantes agora:
Tesouro Prefixado: oferece rendimento atrativo para buy-and-hold, mas alto risco de capital para quem precisa liquidar antes do vencimento. Não é "renda segura" — é apostal na trajetória futura da Selic.
Tesouro IPCA+: protege contra inflação, mas rende menos em termos nominais. Com Selic alta, a escolha entre prefixado e IPCA+ define-se pelo cenário esperado para juros reais.
CDB e LCI/LCA: competem com Tesouro Prefixado oferecendo taxas similares, mas com risco de crédito adicional (mesmo com garantia do FGC até R$ 250 mil).
Investidores de pessoa física que alocam em Tesouro Prefixado devem estar claros: não é um investimento de "renda pasiva garantida". É uma posição de taxa fixa com exposição ao risco de taxa de juros.
O que monitorar
Três gatilhos definem o próximo movimento:
1. Comunicação do BC sobre inflação: qualquer sinal de pressão inflacionária pressionará para baixo o preço do Tesouro Prefixado.
2. Próxima decisão do Copom: se mantiver Selic em 14,25% ou sinalizar redução lenta, os títulos perdem atração relativa. Cortes mais agressivos beneficiam quem já tem prefixado.
3. Curva de juros nominal: se a curva de 2027-2029 comprimir (taxas caindo), Tesouro Prefixado ganha valor. Invertido, sofre perda.
Para os próximos 30 dias, acompanhe indicadores de inflação e fala de diretores do BC. A decisão de alocar em Tesouro Prefixado passa por: horizonte de investimento (precisa sacar antes do vencimento?), tolerância a volatilidade de preço e visão sobre a trajetória de juros.
