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Política Econômica

Reformas fiscais em tramitação: o que o mercado precifica

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a person holding up a cell phone in front of a sign
Foto: Julio Lopez / Pexels

A tramitação de reformas fiscais no Congresso Nacional coloca em xeque a trajetória de médio prazo da taxa Selic, hoje em 14,25% ao ano. O mercado precifica essas mudanças de forma fragmentada: há quem veja alívio fiscal como positivo para juros futuros, e há quem tema que atrasos nas aprovações forcem o Banco Central a manter a Selic elevada por mais tempo. A dúvida sobre o timing e o escopo dessas reformas explica parte da volatilidade que o dólar (cotado a R$ 5,1183) vem apresentando nas últimas semanas.

O ponto crítico é que reformas fiscais credíveis reduzem o prêmio de risco Brasil. Quando o mercado acredita que o governo está comprometido com o ajuste fiscal, a demanda por dólar para hedge diminui, e a curva de juros futuros tende a ceder. Mas enquanto essas medidas estão apenas em tramitação — sem data certa de votação ou aprovação — o investidor estrangeiro mantém posição defensiva. Isso explica por que o Ibovespa (175.739 pontos) não consegue ganho sustentado apesar de o VIX global estar em 15 pontos, sinalizando apetite moderado por risco.

O que os dados revelam

A Selic em 14,25% reflete dois cenários simultâneos. De um lado, a inflação brasileira segue acima da meta, justificando juros altos. De outro, o Banco Central sinaliza que pode começar a cortar — mas apenas se as reformas fiscais criarem espaço fiscal real. Essa condicionalidade é crucial: o BC não quer cortar juros e depois precisar subir novamente porque o governo não conseguiu aprovar medidas de receita ou despesa.

O movimento do dólar a R$ 5,12 não é aleatório. Reflete a incerteza sobre o timing das reformas. Quando há notícia de avanço na tramitação, o real ganha (dólar cai). Quando há atraso ou sinalização de enfraquecimento político, o dólar sobe. Essa volatilidade de curto prazo mascara a questão estrutural: sem reformas credíveis, o Brasil segue pagando prêmio de risco elevado, tanto em juros quanto em câmbio.

Impacto por classe de ativo

Renda fixa: A curva de juros futuros está "achatada" — a diferença entre taxa de 2 anos e 10 anos é mínima. Isso sinaliza que o mercado não acredita em queda significativa de juros no curto prazo, mas também não precifica alta adicional. Reformas aprovadas rapidamente poderiam deslocar essa curva para baixo, beneficiando títulos de prazo mais longo. Atrasos mantêm a incerteza, penalizando investidores em renda fixa que buscam ganho de capital.

Renda variável: O Ibovespa sofre com a indefinição. Empresas com fluxo de caixa em reais (como bancos e varejistas) ganham com juros altos, mas perdem com incerteza fiscal. Empresas exportadoras ganham com dólar mais alto, mas sofrem com risco país elevado. Resultado: o índice marca tempo, sem direção clara.

Câmbio: O dólar permanece pressionado para cima enquanto as reformas não saem do papel. Cada votação adiada reforça a percepção de que o governo não tem capital político para mudanças estruturais.

O que monitorar

  1. Votação de medidas fiscais no Congresso: qualquer aprovação de reforma de receita ou despesa (mesmo parcial) deve ser monitorada como gatilho para realocação de portfólio. Mercado reage em minutos a sinais de progresso.

  2. Comunicação do Banco Central: nas próximas semanas, o BC deve reforçar ou suavizar a condicionalidade entre reformas e corte de juros. Essa sinalização move a curva de renda fixa.

  3. Fluxo de câmbio: monitorar se investidores estrangeiros retomam entrada de dólares em ativos brasileiros. Isso sinalizaria confiança renovada nas reformas. Saídas líquidas mantêm o dólar pressionado para cima.

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